Sobe para 21 o número de plantas hospedeiras da mosca-da-carambola

No Amapá, pesquisadores registram ataques da praga em tangerina, araçá, caju e laranja-da-terra

Mais quatro espécies vegetais hospedeiras da mosca-da-carambola (B. carambolae) foram registradas no Brasil por uma equipe de pesquisadores da Embrapa Amapá. Com o registro, sobe de 17 para 21 o número de frutos silvestres e cultivos infestados com esta praga no Amapá, único estado onde há ocorrência de hospedeiros da mosca-da-carambola no País. Desta vez, foram acrescidos à lista a tangerina, goiaba-araçá ou araçá, caju e laranja-da-terra. Os três primeiros com registros no município de Macapá, capital do Estado, e o último em Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Os estudos da Embrapa são realizados em apoio ao Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-Carambola (PNEMC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e atendem ao objetivo de promover pesquisa para segurança biológica e defesa zoofitossanitária da agropecuária e produção florestal brasileira.

As 21 espécies vegetais hospedeiras agora são: caju, manga, taperebá, biribá, ajuru, Licania sp., acerola, muruci, araçá-boi, pitanga, goiaba, goiaba-araçá, ameixa-roxa, jambo vermelho, carambola, sapotilha (sapoti), abiu, cutite, tangerina, laranja-da-terra e pimenta-de-cheiro. Entre os hospedeiros registrados no Comunicado Técnico intitulado “Novos Registros de Hospedeiros da Mosca-da- Carambola (Bactrocera carambolae) no Estado do Amapá, Brasil”  o caju, a laranja-da-terra e a tangerina já haviam sido relatados como hospedeiros de mosca-da-carambola no Suriname, em 1991. Entretanto, o registro de goiaba-araçá ou araçá como hospedeiro da mosca-da-carambola é inédito para a América do Sul. Embora o Estado de Roraima também esteja na área de ocorrência da mosca-da-carambola desde 2013, até o momento não há registros de hospedeiros naquele estado.  A equipe ressalta que o conhecimento dos hospedeiros potenciais de mosca-da carambola é de fundamental importância para o estabelecimento e sucesso das ações de controle, especialmente no Amapá. Integrante da região Amazônica, o estado possui ecossistemas e condições climáticas favoráveis à sucessão de hospedeiros, em virtude da contínua produção de frutos que podem ser utilizados pela praga como hospedeiros secundários.

Possível prejuízo milionário

A mosca-da-carambola é considerada a principal barreira fitossanitária para as exportações da fruticultura nacional, devido aos países importadores estabelecerem restrições à aquisição de frutos hospedeiros da praga, produzidos em países onde ela ocorre. A origem do inseto é o sudeste asiático, sendo considerada espécie invasora no Brasil, Suriname, República da Guiana e Guiana Francesa. Os danos ocorrem em várias frentes. O ataque da mosca-da-carambola é uma ameaça de perda da produção, pois os frutos infestados têm seu desenvolvimento afetado e caem precocemente, ou seja, o produtor tem perda direta. Além disso, as medidas para o controle da praga acabam aumentando os custos da produção e a depreciação do fruto infestado implica menor valor comercial e em frutos que suportam menos tempo na prateleira, porque apodrecem precocemente.

A presença da praga pode levar à perda de mercados importantes, visto que os países livres da sua presença não importam frutos de regiões frutíferas onde ela ocorre (perda indireta). O Mapa estima que, se a praga ficar fora de controle no Brasil, poderá gerar um prejuízo potencial de US$ 30,7 milhões no ano inicial e de cerca de US$ 92,4 milhões no terceiro ano de infestação. Todo o esforço da parceria entre Mapa e Embrapa é concentrado para prevenir a entrada da mosca-da-carambola em áreas do Brasil produtoras e exportadoras de frutas, evitando assim prejuízos em torno de R$ 400 milhões anuais casos fossem suspensas as exportações de manga, laranja e goiaba, por exemplo.

No Brasil, a mosca-da-carambola foi registrada em 1996 em Oiapoque, município do extremo norte do Amapá, oriunda da Guiana Francesa após ser detectada no Suriname em 1985. Este fato é, provavelmente, resultado do transporte de frutos contaminados da Indonésia pela comunidade de indonesianos residentes no Suriname. É caracterizada como praga quarentenária presente no País, ou seja, possui importância econômica potencial para uma área em perigo, pois já se encontra no Brasil, porém sem ampla distribuição. Embora as ações do Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-carambola (PNEMC) tenham sido efetivas para o controle e erradicação de focos da praga detectados no Pará e Roraima, a coordenadora do Programa considera que a ausência de ações de controle na Guiana Francesa e na Guiana prejudicam as ações das instituições do Brasil voltadas para a erradicação da mosca-da-carambola.

 

Projeto científico “Mosca-da-carambola no Brasil”

Estes novos dados são resultantes de pesquisas realizadas no âmbito do projeto “Mosca-da-carambola no Brasil: biologia, ecologia e controle”, iniciado em 2014 com previsão de término em 2017. Trata-se do primeiro projeto da Embrapa específico para a mosca-da-carambola. De acordo com a pesquisadora Cristiane Ramos de Jesus-Barros, líder da pesquisa, os estudos incluem também estratégias para monitoramento e controle da mosca-da-carambola, por meio de testes de controle químico, biológico e alternativo para controle da praga nas diferentes fases do seu ciclo de vida, com o objetivo de atingir maior eficiência e minimizar os custos de controle e possíveis impactos ambientais.

A coordenadora do Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-Carambola (PNEMC), Maria Julia Signoretti Godoy, ressaltou que devido à evolução dos trabalhos deste Programa, verificou-se a necessidade de várias linhas de pesquisas para suprir os poucos resultados de pesquisa existentes sobre esta praga no continente asiático. Em 2014, o Ministério da Agricultura iniciou a articulação com o então chefe-geral da Embrapa Amapá, Silas Mochiutti, e foi realizada a primeira reunião de pesquisadores da Embrapa e de instituições parceiras, auditores fiscais federais agropecuários das superintendências de Agricultura do Amapá e do Pará. Durante o encontro foram definidas as linhas de elaboração de um projeto. “A equipe técnica listou as necessidades de pesquisa e as dificuldades na condução do Programa no Norte do País, subsidiando os pesquisadores na elaboração dos projetos de pesquisa. Também foi sugerido pelos pesquisadores novas propostas de pesquisa com vistas a atender os anseios da equipe”, relembrou a coordenadora do PNEMC.

 (Dulcivânia Freitas/Embrapa Amapá)

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