Tempo de Copa é tempo de ler José Maria de Aquino, um dos maiores repórteres esportivos do Brasil

“José Maria de Aquino é um acervo vivo da memória do futebol brasileiro e conhece este negócio como poucos”, escreveu o consagrado Milton Neves sobre este repórter que aos aos 92 anos ainda está na ativa e é uma das maiores referências da imprensa esportiva brasileira.

Em 2020, Aquino lançou “Minha Vida de Repórter”, grande sucesso de vendas e crítica e que se tornou obrigatório para quem quer  saber e conhecer a história do futebol brasileiro e seus grandes craques. Sobre este livro, Milton Neves diz que é um fabuloso compilado de histórias vividas por Aquino ao longo de décadas sempre na trilha da bola ou da emoção produzida por qualquer outro esporte.

Já o jornalista Cláudio de Souza, o primeiro diretor da revista Placar, na qual Aquino trabalhou na década de 1970, ressaltou que ele era na época “o melhor repórter esportivo do país, como continuou sendo, por ser ético, trabalhador e extremamente profissional”

Além de jornalista, Aquino é advogado. Sua carreira jornalística teve inicio em 1965, no Jornal da Tarde (Grupo Estado) Lá conquistou, ao lado de Michel Laurence o Prêmio Esso. Trabalhou também no Estadão, na TV Globo (aí foi inclusive o comenarista na Copa de 1982 e até chefe de redação), Sport TV, enfim, passou pelas melhores e maiores redações e apesar de ser reverenciado por todos sempre manteve a simplicidade e ensinava a todos que precisavam de sua ajuda. E continua em atividade, agora no Portal Terra.

O livro “Minha Vida de Repórter” (388 páginas, editado pela Letras do Brasil) é uma verdadeira aula de jornalismo. Traz reportagens interessantíssimas, bastidores (como a preparação da seleção brasileira em 70 e o plano liderado pelos jogadores para fazer Zagallo  escalar o time que eles julgavam capaz de levantar o tricampeonato mundial. E realmente o Brasil foi tricampeão.

De maneira leve, Aquino nos conta  aventuras, dissabores, contratempos e as manhas, dribles  e truques para vencer todo tipo de dificuldades em coberturas internacionais sem as facilidades da tecnologia que temos hoje.

Li no portal da ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos que para a vida de um repórter não há manual de instruções. É preciso doses diárias de coragem para enfrentar o desconhecido e firme convicção para caminhar ao lado da verdade, da ética e do compromisso com a informação. Vale aprender com José Maria de Aquino, um mestre na arte do rigor da apuração bem feita e um especialista em técnicas de entrevista que não se ensinam nas escolas de jornalismo.

Eu que fui repórter esportiva lá pelo inicio da década de 1970 (segundo o GPT fui a primeira mulher jornalista esportiva no Brasil) digo para vocês que aprendi muito lendo e ouvindo José Maria de Aquino.
Ano passado ele me mandou seu livro pelo nosso amigo em comum: jornalista João Silva, com esta dedicatória tão carinhosa que alegra tanto meu coração cada vez que pego seu livro para reler ou tirar alguma dúvida. Obrigada, “companheiro de viagem” por continuar nos ensinando.

(Alcinéa Cavalcante)

 

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