Lembras…

daquelas tardes domingo quando o melhor programa
era assistir filme no Cine Macapá?

A cidade era pequena e todo mundo ia a pé logo depois do almoço pro cinema. Ninguém reclamava do sol quente, ninguém se queixava do calor.
Os meninos levavam dezenas de gibis embaixo do braço pra trocar na fila. As meninas sonhavam com o dia em que o Zorro tiraria a máscara.
Lembro de “seu Pedro” na portaria recebendo a molecada com um largo sorriso. De vez em quando deixava um entrar sem pagar ingresso, pois tinha uma pena danada das crianças que não tinham dinheiro para o ingresso.

  • Que lembranças boas, eu ia todos os domingos a tarde com minhas irmãs e amigas, adorava assistir filmes e tbm iamos de pé do bairoo do trem até o Centro, que saudades daqueles tempos, e que hoje não voltam mais, muito obrigada por essas lembranças maravilhosas de nossas infâncias, ah era verdade mesmo do seu Pedro na portaria com aquele sorriso, e as vezes deixava mesmo a meninada entrar de graça, pois nem sempre tínhamos dinheiro do ingresso, era muito bom depois do cinema irmos tomar aquele sorvete na Sorveteria. Que bom que temos essas coisa boas de nossa vida..

  • E só pra aumentar mais a saudade, a abertura de cada espetáculo era por conta da música “O Guarani”! E tem mais, as bicicletas ficavam bem guardadas, sinal que naquele tempo já tinha ladrão, ou não?

    • Amigos Antonio e Cléo, permitam-me uma retificação: a música era o “Concerto Nº 1 para Piano e Orchestra, 1º movimento, de Tchaikovsky.
      Era emocionante o início de cada exibição: as luzes apagando e os acordes da música entrando.
      Foi aí que, ainda na infância, conheci esse rande músico russo. O nome dele e da música só fui descobrir depois, mas a música … bastava ouvir e sentir.
      E a nossa antiga Rádio Difusora também ajudava.
      Abraços.

  • Realmente Cléo, deviam tombar. O problema é que a patrimônio histórico no Brasil, apesar de muito grande e valioso não é levado a sério como devia, haja vista que, tenho mania de fotografar os centros históricos por onde ando e noto claramente que não há uma política adequada para tal, pois, so quando começam a cair é que ações são tomadas como é o caso do centro histórico de São Luis, com Projeto Reviver onde tive a felicidade de trabalhar no final da década de 80 e inicio de 90.
    Falar do Cine Macapá é retroagir no tempo e lembrar, como disse a Alcinéa, dos gibis levados ao braço para fazer a troca com a molecada e a palavra que se pronunciava era “já” ou “não” ao pretenso trocador.
    Lembrar de Kim Novak é lembrar da paixão que a bela atriz embalou em nossos sonhos de adolescentes, a mais linda de todos os tempos, talvez só a ingrid Bergmam se aproximasse de sua beleza, porém, ela é imbatível. Seus filmes, O grande roubo do trem(acho que é esse o título, que assistí aí no Cine Macapá, Crepúsculo de uma Paixão, Malibu (assisti na TV), Atração Proibida, acho que em Belém, mostram toda a sua exuberância.
    Filmes que assisti no C. M.- Os longas metragens, super produção com tela em cinemascope: O mais longo dos dias, Os dez mandamentos, Sansão e Dalila, os faroestes Por um punhado de dólares, sete homens e um destino, Dolar furado e muito mais, não esquecendo que antes do filme tínhamos as noticias do futebol com os gols de Pelé, Garrincha, Almir, o Pernambuquinho, Jair da Rosa Pinto e muitos outros.
    Bons tempos que o advento do DVD e a pirataria se encarregaram de acabar, pois, assistir filme em shoping não tem nada de emotivo, pelo menos para mim.

    • Faça-se justiça o Justiceiro, sem trocadilhos naturalmente, nada igual a uma donzela com garapa ou refresco de groselha, ainda mais que não se falava em glicemia, colesterol, trigliceridios e outras coisas muito comuns hoje em dia.

  • CINE MACAPÁ, A CASA DOS GRANDES ESPETÁCULOS. Belíssimas memórias. Ali, entre gibís e assovios, assisti muitos filmes. Dentre eles, “o primeiro roubo de banco”, com a atriz preferida do amigo Ruy Maia: Kim Novak; “Na onda do iê,iê,iê, com a turma da jovem guarda e os trapalhões; filmes do teixeirinha (que muitas pessoas saiam chorando de emoção). Penso que deveriam tombar aquele prédio, como marco da cultura no Amap´(antes que o derrubem).

    • Caro Cléo,
      É realmente muito dificil manter os marcos culturais pela política adotada para os mesmos. Normalmente a especulação imobiliária vai se encarregando de tombá-los, não culturalmente, mas derrubando onde surgirão novos arranha céus como está acontecendo no belo bairro do Umarizal em Belém. O que se oferece é muito pouco aos proprietários para mantê-los e normalmente os herdeiros não tem a tolerância dos pais e dinheiro na mão é melhor que prédio no chão. Com isto, as escolas barroca e neoclássica sofrem um duro golpe nas suas representatividades principalmente no período de chuvas quando ocorre a maioria dos colapsos. Seria necessário uma politica mais forte, a nível estadual e federal junto ao IPHAN, para o resgate e manutenção das artes aí representadas.

  • Eu colocava minha chulipa e me mandava. Lembro-me do cartaz de “Spartacus e os 10 Gladiadores” anunciado na parede interna, pintada em tom alaranjado. A molecada daquele tempo já não era muito ética. Era comum alterarmos a data de nascimento na carteira de estudante para assistirmos aos filmes impróprios (às vezes a adulteração era visível, mas dava certo). Pra parecer mais velho, certa vez passei carvão para aparentar bigode. Mas eram golpes que não prejudicavam ninguém…

    • Ah, lembro-me também de “Pele de Asno”. Não sei bem o enredo, mas acho que era um musical. Um dia desses vi o filme à venda na Cultura.

  • Infelizmente, existia preconceito contra pobre, pois, se estivesse de sandálias, não entrava. Acontece comigo, pois, certa vez, ao me dirigir a pés àquele cine para assistir meu filme predileto (007), fui barrado porque estava calçado de sandálias havaiana.

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