Lembras

quando o Macapá Hotel era assim?

A sorveteria, com as mesas ao ar livre sobre um piso de cerâmicas pretas e brancas, era o único lugar onde o sorvete era servido em taças e a gente aos domingos, depois da sessão da tarde no Cine João XXIII ou no Cine Macapá,  dizia “vamos tomar um sorvete na taça no Macapá Hotel“. E o sorvete era servido pelo simpático e famoso garçon Inácio.
Na entrada do Hotel, cadeiras de madeira, onde hóspedes e não-hóspedes gostavam de ficar horas recebendo a brisa do rio Amazonas.
Ao lado da entrada, um salão (com portas em arco) que funcionava como sala de reuniões, outras vezes salão de festas da alta sociedade e também  salão de jogos onde o primeiro governador do Amapá, Janary Nunes, gostava de jogar xadrez. Ao lado desse salão,  o Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva com suas coleções de madeiras, óleos, pedras, fitoterápicos, poesias e artes plásticas. Dirigido pelo cientista Waldemiro Gomes que sabia tudo sobre o Amapá e a Amazônia e ainda tocava serrote para os visitantes (sim! serrote, aquela ferramente usada por carpinteiros. Ele tocava usando arco de violino). Mas antes do Museu ali funcionou a primeira agência do Banco do Brasil.
Na última sala, (também com as portas em arco)  funcionava a barbearia do “seu” Aprígio, um dos barbeiros mais famosos do Amapá.
Lembras disso? De que mais lembras? Conta aí na caixinha de comentários vai.

  • Vendo essa fotografia do velho Hotel Macapá depois de varias décadas, fico emocionado ao lembrar como disse a Alcinéia “domingo não domingo se não se assistisse um filme no João XXIII ou no Cine Macapá e depois tomar sorvete no hotel servido pelo Inácio, mas, como não lembrar da máquina trec trec de cortar cabelo na barbearia do hotel ? ah! aquela máquina deixava nossas cabeças apenas com uns fiapos de cabelos e quando a bicha estava desamolada era um grito só da molecada.

  • a brisa ou o vento forte vindo do rio, o sorvete depois do cinema (tinha que ir na primeira sessão do macapá e, se conseguisse, na segunda do joão xxiii), sentar nas cadeiras grandes de madeira, conversas de menino e menina, ida e volta no trapiche, correr, pular e voltar casado pra casa. assim eram os domingos, assim era ser criança em macapá… que falta que esse hotel faz!
    ps: inácio era um figura à parte. já velinho, serviu muito em minha casa, gostávamos muito dele.

    • Bem lembrado o antigo Cine Macapá, Marton. Entendo que as lembranças que permanecem em nós são as daqueles momentos no qual tivemos alegria, prazeres, como as proporcionadas pelas fotografias e, no caso, pelas do Macapá Hotel. Tempos em que o barulho era proporcionado apenas pelo burburinho dos bate-papos animados pelo sorvete, do sussurar dos namorados, embalados pela brisa que soprava do rio-mar. Tudo isso num ambiente livre, sem grades, sem cercas, sem impedimentos de acesso ao estabelecimento.
      E o temos hoje? Pra começar, o Macapá Hotel não existe mais. O seu sucessor é um imóvel fechado ao grande público. Em volta, bares e restaurantes barulhentos que atrapalham um bate-papo prazeroso. E antes de entrar você já vai sendo abordado por funcionários da casa, interferindo no seu direito de escolha. Nem sempre a modernidade é melhor que o de antigamente.
      O “seu” Inácio, realmente, é um caso à parte. É um dos contribuíram para dar vida ao Macapá Hotel, assim como o “seu” Waldemiro Gomes, o “seu” Aprígio e outros.

  • hahahahahah, tô rindo muito aqui com as histórias do Inácio. Como o meu primo já havia dito nos primeiros posts, nosso avô, Manoel Figueira, trabalhou nessa época lá e contava muitas do Inácio.. A gente ria pra caramba aqui em casa. Foram 28 anos de trabalho no Macapá Hotel(ele falava com orgulho)e as lembranças eram muitas, tinha umas histórias de cozinheiros que é melhor nem comentar aqui, mas ele sempre nos aconselhava a não pedir pra voltar a comida pra cozinha quando fossemos a um restaurante(ele reprova essas atitudes dos chefes de cozinha).

    Alcinéia, temos fotos dessa época aqui no nosso álbum e se quiser posso digitalizar e enviar pra seu e-mail.

  • O Macapá Hotel faz parte da minha biografia. Fez parte da minha infância e adolescência e ainda hoje, já no final da minha vida, continua fazendo parte, pois presto serviços profissionais de contabilidade aos arrendatários do mesmo, trabalhando lá prédio do mesmo.

  • Cara amiga, ao olhar para esse foto eu fiz uma bela viagem ao passado. QUE TEMPO BOM! QUE SAUDADE DAQUELAS TARDES, DOS SORVETES, DOS PAPOS COM OS AMIGOS!

  • meu avô, Manoel Figueira, trabalhou muitos anos como garçon do macapá hotel, inclusive na sua casa existem várias fotos da época, ilustres clientes, turistas e muitas histórias. Infelizmente o velho nos deixou em 2008, porpem, suas histórias estão guardadas no coração da familia figueira.

  • Alcinea, teria como fazer uma matéria sobre o dia-a-dia dos comerciantes da área que ficava perto do forte? Meu avô tinha uma garapeira lá, mas não disponho de nenhum material. O cenário é aquele painel exposto no Aeroporto de Macapá, uma espécie de Ver-o-Pêso macapaense, onde hoje localiza-se o Banco do Brasil. Depois a empresa Etesco S/A aterrou, fez o quebra-mar, urbanizou a área e transformou-a no que é hoje.

  • Certo dia o Janary liga para o hotel do Sr Ernesto..

    Janary – O Ernesto esta?
    Inacio – Devido o telefonema esta ruim, respondeu – aqui nao trabalha nenhum HONESTO

  • Eu nunca tomei o famoso sorvete. Vontade não faltava, mas a situação financeira não permitia. Por isso, eu me contentava com o picolé de coco (também famoso) que era vendido no Bar du Pedro (ad litteram), no Mercado Central. Mesmo assim, não deixava de visitar constantemente o Macapá Hotel, mais especificamente o museu, por causa das peças indígenas e dos animais empalhados. Apesar de criança, gostava de conversar com o Sr. Valdemiro Gomes, pra mim, um cientista. Foi ele que me ensinou a poesia que fez pra a cidade:

    M acapá, grácil morena
    A irosa, bela e serena
    C omo é lindo o teu perfil
    A s tuas filhas faceiras
    P arecem rosas trigueiras
    Áureos mimos do Brasil.

    Depois que o museu foi transferido (acho que para perto do Hospital Geral, não lembro), já adolescente, mantive a tradição de visitar o Sr. Waldemiro. Depois, perdi contato. Mas a saudade ficou…

  • Olá Néia!
    O programa de domingo era: assistir um bom filme nos Cinemas – Cine Macapá e João XXIII ( algo como “O Dólar Furado ” :):) 🙂 depois ir passear no trapiche e, lógico, tomar sorvete naquelas taças de aço inoxidável, que era o “must” do Macapá Hotel.
    Néia, vc lembra de uma boite “Biombo”, que ficava atrás da casa do Sr. Sandoval? Bons tempos. Bjs.

  • E quando alum fregues pedia uma CUBA e reclamava dizendo que não estava boa,o se INÁCIO ” TU NÃO QUER, A CASA ACEITA” e tomava a CUBA só de uma golada.

  • Oi, Alcinéa.
    Lembrei de uma das histórias que contavam sobre o “seu” Inácio. Na época de Território, o Amapá estava vinculado ao antigo Ministério do Interior (que mudou várias vezes de nome). Nessa condição, o Amapá vez ou outra era visitado por comitivas de funcionários federais, que geralmente se hospedavam no Macapá Hotel.
    Conta-se que numa dessas viagens, durante um almoço no hotel, o “seu” Inácio estava servindo os visitantes. Um deles, percebendo que o “seu” Inácio estava servindo macarrão, vez sinal dando a entender que não queria. O “seu” Inácio, mesmo assim, colocou macarrão em seu prato, e teria dito: – “Aproveita, que é por conta do Governo”.
    Abraços, extensivos às filhas do “seu” Inácio.

    • Querido Tio.
      Na verdade não é uma resposta ao fato relatado sobre o ‘seu” Inácio, que por sinal, conheci quando ia passar os finais de semana na caso do Vô (Nêgo) e Vó (Fany) na Av. Presidente Vargas e, que até hoje sou amigo dos seus filhos e filhas, mas, aproveito essa oportunidade para manter contato e disponibiulizar o meu endereço eletrônico para conversarmos e ‘matarmos” a saudade.
      Um forte Abraço e lembranças a todos (Bruno/Olina/Claúdia).

      • Fala, Guto.
        Que bom manter esse contato. Nem sempre os preços das passagens aéreas permitem ir com mais frequencia à terrinha. Mande seu endereço eletrônico. O meu é:
        [email protected]
        Abraços do tio.

  • Era um local que trazia paz espiritual,onde até os doentes mentais da época(benedita pelada e milton cientista)gostavam.Perto desta bicicleta tive a felicidade de conversar com o idolo do meu botafogo,mané garrincha.Saiamos catando carteiras das diversas marcas de cigarros que serviam como dinheiro no jogo de petecas.Não existia esse horrível muro que divide classes sociais,sendo o prédio público.O janary pensava grande!

  • Oi, Alcinéa.
    O “seu” Inácio foi meu vizinho quando, adolescente, morei na Av. Presidente Vargas, entre a Leopoldo Machado e Hamilton Silva.
    Sobre o “seu” Inácio, como garçom do Macapá Hotel, contavam-se muitas histórias. Uma delas era a famosa resposta (impublicável) que ele costumava dar quando alguém, pedindo mais uma cerveja, o chamava: – “Inácio, olha o freguês”. E ele respondia: – “Quem atende freguês é …..”.
    Essa foi comigo: Estávamos eu e mais alguns amigos em uma das mesas do Macapá Hotel discutindo sobre a derrota do Brasil para a Holanda na copa de 74 quando, sem querer, minha mão esbarrou no copo de cerveja, que caiu e quebrou. O “seu” Inácio se aproximou de mim e discretamente, me cochichou ao ouvido: – “Está incluído na conta”.
    Existem outras das quais só ouví falar.
    Abraços.

  • Belas lembranças. Sorvete de ameixa e o papo sempre muito agradável com o Prof. Valdemirp Gomes. Aliás mais injustiçado no Amapá.
    Bjs
    Mano

  • Belas lembranças. Vale pena lembrar um porradal na decada de 50 que envolveu vários figurões da época, entre os quais o Alvaro da Cunha, que além de grande poeta tinha um excepcional humor e tirocínio. Terminada a porrada. O Álvaro vira para o famoso Inácio e diz; Coloca aí, embaixo da placa que dizia ” Inaugurado na Administração Janary Nunes ” outra placa dizendo ” destruído na aporrinhação do Álvaro da Cunha”.
    Bjs Mano

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