Um poema de Annie de Carvalho

O Buriti
Annie de Carvalho

Um buriti embalava-se em meus sonhos,
trazia o vento da rosa dos ventos
depois ia pôr-se com o sol do solstício de verão.

O Buriti vinha sombrear meus anseios
e seu fruto salivava em minha boca.
Seu fruto do ventre da árvore gigante.

Venho da raiz desassosegada,
da planta que sombreia o mundo
E se transforma em revoada…

Buriti fazedor das fantasias
tuas mãos nativas libertam
e tatuam epifanias…

Buriti tatuador da poesia!
Cria horizontes escarlates
com as tintas dos paradigmas.

Sou tua nova semente;
fecunda-me… toda
a substância dos teus enigmas.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em fevereiro em Macapá)

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