PDT oficializa apoio à reeleição de Lula

Decisão unânime do Diretório Nacional posiciona o Trabalhismo contra
o avanço da extrema-direita nas eleições de 2026

O Diretório Nacional do PDT aprovou, por unanimidade, ontem segunda-feira (20), o apoio do partido à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada durante a Convenção Nacional Partidária e Eleitoral, realizada na sede nacional da legenda, em Brasília (DF), diante de um auditório lotado por lideranças e militantes de todo o país.

Durante a convenção, os participantes também elegeram, por unanimidade, os integrantes do novo Diretório Nacional do PDT, responsável pela condução política e organizacional do partido. Um destaque importante foi a condução de Juliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, à vice-presidência.

Mais do que uma definição eleitoral, a deliberação posiciona o Trabalhismo na linha de frente da mobilização em defesa da democracia e contra o avanço da extrema-direita. Ao longo do encontro, dirigentes reafirmaram bandeiras históricas do PDT, como soberania nacional, educação pública, valorização do trabalho, direitos das mulheres, respeito à diversidade e proteção das populações mais vulneráveis.

Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi afirmou que o partido é a primeira legenda nacional a oficializar o apoio a Lula para a eleição deste ano. Segundo ele, a aliança não está condicionada a cargos ou espaços no governo, mas à coerência histórica do partido.

“Hoje estamos fazendo história porque, desde 1989, quando Brizola apoiou Lula no segundo turno, e de 1998, quando foi seu vice, não tivemos a oportunidade que temos agora: ser o primeiro partido nacional a anunciar oficialmente o apoio ao presidente Lula. Não é cargo, espaço em ministério ou qualquer benesse de poder que nos faz estar aqui. É a história da luta do povo brasileiro, é a história da coerência do PDT”, afirmou.

Lupi acrescentou que a convenção representa um reencontro do PDT com sua trajetória e uma reafirmação do compromisso da legenda com as lutas democráticas do país. O dirigente também informou que o trabalho apresentado pelo ex-governador Roberto Requião servirá de referência para o documento político que o partido encaminhará ao presidente Lula.

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) ressaltou que a aliança não significa abrir mão do projeto trabalhista, mas reconhecer que a defesa da democracia está acima dos interesses específicos de qualquer partido.

“Hoje o PDT toma a decisão política de apoiar a reeleição do presidente Lula. Isso não significa abrir mão de seus projetos e de uma bandeira para o Brasil. Hoje não se trata de projetos de partido, mas de um projeto muito maior, um projeto de Brasil. Não estamos apenas apoiando a continuidade do presidente da República; estamos reafirmando uma palavra simples: democracia”, declarou.

Soberania, democracia e história

Ao participar da convenção, Lula agradeceu o apoio e afirmou que a campanha será marcada pela defesa da soberania nacional e do regime democrático. O presidente também relacionou o avanço da extrema-direita ao desmonte de políticas públicas, ao negacionismo e às tentativas de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros.

“Não há nada mais sagrado neste momento histórico do que duas coisas para marcar uma campanha política neste país. Primeiro, a defesa da soberania nacional. Nós precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho de que este país foi criado e construído por brasileiros. A outra coisa é a democracia. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo e o fascismo voltem a pensar em governar este país”, afirmou.

Lula também destacou a educação como base de um país soberano e recordou os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) implantados por Brizola. Para ele, a escola em tempo integral representa um dos principais caminhos para reduzir desigualdades e transformar o futuro das crianças brasileiras.

Presidente nacional do PT, Edinho Silva agradeceu a parceria histórica entre os partidos e alertou para o crescimento internacional do extremismo.

“Estamos diante da eleição mais importante das nossas vidas. Desde a Segunda Guerra Mundial não víamos o fascismo crescer no mundo em sua expressão mais cruel. Precisamos classificar este momento como de ascensão do fascismo para não errarmos na leitura da conjuntura e termos a dimensão do que está acontecendo”, afirmou.

A união entre PDT e Lula encontra raízes em diferentes momentos da história política brasileira. Em 1989, Brizola apoiou Lula no segundo turno contra Fernando Collor. Em 1998, integrou como vice a chapa presidencial liderada pelo petista. Quatro anos depois, Brizola e o PDT voltaram a apoiar Lula no segundo turno. Em 2022, a Executiva Nacional da legenda aprovou por unanimidade o apoio ao petista contra Jair Bolsonaro.

Neta do fundador do PDT, Juliana Brizola relacionou a decisão atual aos valores que marcaram a trajetória política do avô.

“Nós somos o partido dos exilados, dos torturados e dos mortos pela ditadura. O outro lado reverencia torturador, faz aliança com miliciano, entrega as nossas riquezas e não acredita na ciência. Este não é o lado do PDT”, declarou.

A convenção também reafirmou o apoio do PDT ao fim da escala de trabalho 6×1 e às políticas voltadas aos trabalhadores e às minorias. Com a decisão unânime, o partido mobiliza sua história e sua identidade em torno de uma tarefa nacional: impedir novos retrocessos e preservar a democracia, a soberania e o direito do povo brasileiro de decidir seu futuro.

(Fonte: portal do PDT)

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