A revolta da “bata branca”

Desde sexta-feira a maioria dos médicos se recusa a cumprir plantão na rede estadual de saúde e ontem cerca de 20 deles, de várias especialidades, como  ortopedistas, psiquiatras, pediatras e cirurgiões, pediram demissão  por não concordarem com a forma que o governo adotou para pagamento dos plantões.
Desde abril o governo se recusa a pagar antecipadamente pelos plantões. “Pagar por um serviço que ainda não foi prestado é improbidade administrativa”, diz o secretário de Estado da Saúde, Lineu Facundes. “Isso é mentira. Sempre foi feito assim”, rebate o porta-voz do Sindicato dos Médicos, Fernando Nascimento.
Até então, os médicos recebiam no mesmo contra-cheque no dia 30 de cada mês o salário e os plantões. Como a folha de pagamento fecha no dia 20, os plantões dos últimos 10 dias – dados ou não – eram pagos normalmente. O governo decidiu que a partir de abril só entrariam na folha do mês os plantões tirados entre o dia 1 e o dia 20. Os plantões cumpridos nos últimos dez dias seriam pagos no mês seguinte. Os médicos não gostaram. E se revoltaram quando receberam seus contra-cheques “capengas” em abril e ameaçaram que se em maio o contra-cheque viesse de novo “capenga” não fariam mais plantões. O governo não recuou e os médicos cumpriram a ameaça.

“A separação dos vencimentos trouxe prejuízo a classe, pois diminui nossa margem para empréstimos e eles fizeram como se tivesemos dois vínculos, com emissão de dois contracheques, sendo que na somatória dos dois valores em relação ao mês anterior, observamos que descontaram Imposto de Renda a menor e vamos denunciar na Receita Federal”, diz Fernando Nascimento.
Ele assegura que a mudança na forma de pagamento foi a gota d’água que faltava para os médicos tomarem essa decisão. “A principal insatisfação da classe é em relação a falta de condições minímas pra exercer a profissão: sem exames complementares, tomografia, mamografia, medicamentos – a  Sesa não licita nada há 1 ano e meio, fazendos sempre compras de emergências – , ou seja, não conseguimos fazer o que podemos e devemos pelos pacientes, porém a culpa não é dos médicos.”

Na sexta-feira, dia 1, quando foi deflagrada a “greve dos plantões”, o governo recorreu à Justiça e o juiz Reginaldo Andrade determinou que os médicos voltassem imediatamente a cumprir plantões. Com tabelas de plantões nas mãos, os oficiais foram notificar Sindicato e médicos. E daí surgiu outra confusão. Como foi feita essa tabela de plantão? Quem fez? Quem decidiu quem daria plantão? Questinou Fernando Nascimento. Ele explica que nenhum médico é obrigado a tirar plantão. “Isso é facultativo.  Cada médico decide se quer ou não tirar plantão. Ninguém pode decidir por ele”, disse.
Segundo ele as escalas entregues a Justiça não tem validade, pois “a Sesa não é dona de médicos”, e não tem nenhum contrato pra prestação desse serviço. “Somos informais e há resoluções do CFM que regulamentam plantões, as escalas devem ser feitas pelo diretor técnico ou clínico, sempre com a anuência dos médicos. As escalas do processo estão assinadas pelo Secretário da Saúde, pelo juiz Reginaldo Andrade  e pela diretora do PAI, portanto são ilegais, pois cerceia  o direito de ir e vir, colocando de plantão quem não deseja fazê-lo”, enfatiza.

Além de mudar a forma de pagamento dos plantões, o governo decidiu fiscalizar rigorosamente o cumprimento deles. Sabe-se que enquanto muitos médicos realmente cumprem os plantões, há aqueles que recebem sem fazê-lo. E o valor de um plantão de 12 horas é mil reais, o que pode engordar o contra-cheque de alguns em até R$ 30 mil mensais.

A “fiscalização rigorosa” seria outro motivo de revolta. De acordo com Fernando Nascimento não há necessidade do governo  contratar ou deslocar servidores para de tabela nas mãos percorrer os hospitais para conferir se o médico está no plantão ou não. “Isso pode ser feito pela própria direção do hospital“, diz. “Mas o governo preferiu criar uma gerência de importunação de médico pagando por esse cargo R$ 4 mil mensais”, ironiza. Ele garante que nenhum médico fica revoltado ao ser fiscalizado, apenas discorda da forma.

Para minimizar o problema criado com a “greve dos plantões” e a demissão, médicos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram deslocados para os hospitais. E o governo anunciou ontem que vai decretar estado de emergência na saúde. Assim poderá contratar de forma emergencial – sem processo seletivo – médicos de outros estados.

Na opinião de Fernando Nascimento, deslocar médicos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para os hospitais não resolve o problema. ” O problema  não está nas portas e sim nas subespecialidades”, assegura. Quanto a contratação de médicos de outros estados, ele ressalta que não existe mão de obra especializada querendo vir pro Amapá com o salário pago atualmente.

O Amapá tem 534 médicos na rede pública. São 267 efetivos do quadro do Estado, 177 são do contrato administrativo e 90 são do quadro federal.  Dos 534 médicos 355 são plantonistas.

  • Andy
    D-U-V-I-D-O que um médico paraquedista fique 11 ou 12 horas dentro de um hospital, no máximo fica duas horas e manda ligar p o celulaular dele em caso de emergência. Detalhe ele desliga o mesmo.

  • Amigos, também já trabalhei na rede pública de saúde, no local onde confeccionavam as escalas de plantão médico, no período de 2002-2007. Nestas escalas, sempre havia dois ou, até, três médicos de plantão, por setor. Por exemplo, na clínica pediátrica 3, na clínica médica 3, na emergência 3, etc.Contudo, quando o paciente chega para ser atendido apenas 1 médico se encontra no local, quando não está dormindo. E os outros dois? Onde estão?. Mesmo sem trabalhar, sempre recebiam. Na época (no governo do Waldez), o Ministério Público recomendou que as escalas fossem afixadas em um local público para q os pacientes pudessem saber quantos médicos deveriam estar trabalhando, mas a referida recomendação não foi atendida pelo diretor do hospital e, também, não houve fiscalização do M.P para saber se a recomendação tinha sido atendida. Portanto, a medida do governo é corretíssima. Como cidadãos, precisamos apoiar e, também, fiscalizar.

  • Que muitos médicos não cumpriem plantão é fato!! Mas fato também que os profissionais da saúde que trabalham não tem condições dignas de trabalho e a sociedade que precisa do serviço público de saúde não tem condições dignas de atendimento, não basta apenas médicos, é necessários a estrutura e os equipamentos que faltam muito. E enquanto isso o governador da outras prioridades para o carnaval, festa junina, festa de aniversário e etc… dei atenção a saúde e mais: FORA CAMILO!

  • Esse Fernando é um tremendo cara de pau, mente na maior cara de pau. Nao existe cargo comissionado de R$ 4.000,00. Devia se informar antes de expor a classe médica so ridículo como vem fazendo. E o Uiton Tavares, sera que pensa que o povo do Amapá não tem memória? Ele que foi um dos 4 Secretários de Saùde preso no governo passado por desvio do dinheiro da saúde,exibido na Globo em rede navipnal, algemado, agora aparece como porta voz dos médicos. Pobres médicos. Como escolhem mau seus representantes.

  • ALGUEM SE LEMBRA QUAL FOI O ULTIMO GOVERNO AMAPAENSE EM QUE TENHA SIDO DECRETADO O ESTADO DE EMERGÊNCIA NA SAÚDE ?

    • Mas, lembro que no governo anterior, 04 secretários foram presos e acusados por desviarem recursos da área da Saúde. Voçe se lembra?

  • No governo Waldez foram presos quatro secretários de saúde e os Deuses de branco se calaram. Força Camilo!

  • Se pagam a mais o erro não eh dos medicos e sim de quem paga. Se um medico ganha 50 mil o problema eh sa secretaria que faz o pagamento errado.
    Agora vão aos hospitais…enfermeiros e medicos e todo o pessoal da suade tem que aumento mesmo e principalmente, condições dignas de trabalho…

    • Amigo, é por essa inversão de valores que impera a falta de ética no serviço público. Se recebo o que não deveria receber por um serviço que não prestei, a culpa é de quem me paga? A corrupção não existe sem corruptores!

  • o meu tio faleceu na casa da minha mãe fomos ate pronto socorro para obter o atestado de obitos, uma enfermeira nos atendeu e nos informou o numero do telefone do medico de plantão para nos ligarmos, para nossa surpresa o medico estava na cidade de salvador, o qual nos deu outro numero de telefone, isso e palhaçada e falta de respeito com a população, querem ganhar sem trabalhar.

  • Certíssimo o GEA está corretíssimo, pois como pagar algo que ainda não foi cumprido? Os empregados comuns não recebem por hora extra ou trabalho em dia de repouso remunerado antecipadamente.

  • PLANTÕES

    De fato o que está em jogo não é a imposição dos plantões e sim o risco da perda da mamata $$ dos plantões $$ por parte dos médicos que não cumpre-os, simples assim.

    No ano de 2011, os 50 maiores salários pagos a servidores foi para 50 médicos, houve médico que recebeu R$ 57.177,10.

    Com plantões foram pagos valores que vão de R$ 36 a 48 mil mensal. Quer saber como foi feito isso e quem são os detentores dos maiores salários pagos em 2011?

    Acesse http://transparencia-ap.info/, click em “Grandes valores” e depois em “Maiores valores brutos já pagos” e marque 2011. Voilá.

    Aqui sim existe transparência.

    COLABORAÇÃO

    Como sugestão para moralizar e melhorar a saúde (e o serviço público em geral) de nosso estado deixamos a dica:

    COLOCAÇÃO DE PONTO ELETRÔNICO BIOMÉTRICO NOS HOSPITAIS (E EM TODOS SERVIÇO PÚBLICO ESTADUAL) COM ACESSO PELA INTERNET LIVRE PARA QUE QUALQUER CIDADÃO POSSA SABER SE O SERVIDOR ESTÁ FAZENDO JUS OU NÃO AO SALÁRIO QUE RECEBE.

    Movimento Mãos Limpas
    Twitter: @mmaoslimpas

    • Essa do ponto eletrônico e com biometria é uma ótima idéia. O problema que é capaz de queimarem os dedos para danificar a digital. Tem também aquele com os olhos talvez mais seguro.

    • Ponto eletrônico e Avaliação de Desempenho, onde parte dos salários que é composto por gratificações dependeria da avaliação Institucional (cumprimento de metas) e individual (cumprimento das exigencias para os servidores públicos, como assiduidade)

  • A verdade é que tem médico que nem olha para a cara do paciente e passa um remédio qualquer. Isso é sacerdócio? Deveriam era tratar melhor os pacientes que atendem. Já ouvi muito esse tipo de reclamação, principalmente no HE.

  • Essa farra de plantão vem desde a época do Gov.Barcellos,os médicos sempre mandavam nas escalas de plantões, e nunca era feito nada devido ao corporativismo da classe. Mandou bem o Secretário Lineu e o Governador, tiraram o bombom da boca dos médicos, agora só resta chorarBUABUABAUABA.

    • Rui passa doze horas de plantâo no HE ou no PAI acompanhando o trabalho de um médico depois me diz se o bombom é doce.

      • com esse valor de cr$ 1000. em 12 hrs, contando q alguns medicos nem se apresentam ao plantão, e alguns nem olham no rosto do paciente, tão ganhando mt bem.

      • Com certeza o trabalho desses profissionais não deve ser fácil e os bons profissionais que eu conheço, não fizeram birra pela mudança das regras. Mas te pergunto: os mesmos foram obrigados a realizar o seu oficio no serviço público? Só reclamam das condições da saúde pública e de trabalho para reinvidicar privilégios e justificar as ações coletivas de fundo corporativa. Enquanto estavam recebendo sem trabalhar, não os vi reclamando que coisas não andam bem (e não é de 2 anos para cá, viu?)

  • Acho muito justo o governo fiscalizar e pagar somente o medico que cumpriu o plantão.Afinal há muitos anos alguns medicos recebem sem na verdade ter trabalhado, sem falar na falta de atenção e compromisso com a propria profissão e com o juramento de salvar vidas.Se pensassem e agissem com Etica não usariam o paciente para engordar suas contas bancárias e muito menos provocando caos na Saúde Pública.É lamentável essa situação.

  • O governo esta corretissimo. Sempre achei um absurdo a forma de como eram feitos e pagos esses plantoes, pois os medicos faziam a festa, muitos sequer apareciam para trabalhar e no final do mês recebiam seus proventos recheados, muitos chegando a 35 mil…um ABSURDO. Falo isso com convicao, pois já trabalhei no PS e no PAI sou “enfermeira”. E digo mais, muitos deles quando eram chamados em suas casas ( pois estavam em suas casas qdo deviam estar no hospital ) Chegavam depois de 2 horas , reclamando e dando patadas em todos pq haviam sidos chamados, sem contar com o péssimo atendimento ao paciente, por tanto e por conhecimento de causa. Mais uma vez afirmo. O governo esta corretissimo.

    • E você só se mordia por nâo ter conseguido se formar em Medicina né enfermeira.\\deus sabe o que faz!

      • Voçe deve ser daquele tipo que se o meu estiver garantido, o governo tá bom. Se eu estiver fora da mamata, nada presta. Mas uma coisa voçe tem razão: Parte do povo Amapaense reclama quando não está sendo “beneficiado” de alguma forma (geralmente, ilegal e imoral)).

  • A questão é que os plantões não são regulamentados.
    E ainda mais: grande parte dos plantonistas são do contrato administrativo. Por isso o GEA ficou refem. Se fossem concursados, a conversa seria outra…
    Assim, de lei deveríamos ter médicos contratados via concurso público. E alguns desses para o QUADRO DE PLANTONISTAS (quem sabe até por prazo certo, tal qual nas forças armadas – 10 anos, de modo a assegurar mudanças e gente nova nos plantões).
    Assim mesmo, tal qual funciona com os demais servidores e carreiras que dão plantão.
    Em apartado, teríamos o quadro de médicos do ambulatório, que prestam seus serviços no horário normal de expediente, nos hospitais q não tem plantão: Ex: Hosp. Clínicas Alberto Lima.
    O Pronto Socorro teria, de forma ideal,o quadro de plantonistas (só plantão em quadro apartado) e o de médicos de ambulatório (horário expediente).
    Dúvido q não arrumava essa bagunça.

    • Muito bem, SILVANA. Você tocou no ponto fundamental: NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, TUDO PRECISA SER REGULAMENTADO, NÃO PODE FICAR AOS CAPRICHOS DO GESTOR DE PLANTÃO. Como é que em um ano e meio de “governo da mudança” o Executivo não se preocupou de mandar nenhum projeto de lei à AL, regulamentando esses plantões ? Ou pq não fez concurso para tornar todo o quadro médico efetivo ? Essa estratégia de governar na marra, sem atentar para o que está (ou não) escrito é coisa dos antigos regimes comunistas do Leste Europeu (que aliás influenciaram o de uma ilha do Caribe muito querida do PSB…)

      • Amigo, para a sua informação existe um concurso em andamento e em falar em regulamentação, eu que pergunto porque durante tanto tempo, não se regularizou tal situação? Quem ganhava com a falta de regulamentação quanto aos contratos que deveriam ser temporários? Quem fiscalizava e qual a punição para os médicos que recebiam e não cumpriam o plantão ou a própria carga horária?

  • Existem trabalhadores que ficam meses sem receber seus salários, ex: vigilantes, garis e funcionários do caixa escolar, mas algumas “celebridades” pediram demissão por conta de dez dias, que absurdo.

    • Povo bom para certos governantes é aquele bom de manobrar,que vivem muito distante da realidade,trabalhadores que lutam por seus direitos sâo poucos, é por isso que a coisa vai mal,muito mal…

  • Muitos desses médicos estavam acostumados a ganhar mais de 30 plantões no mês. Bastou o governo acabar com essa pouca vergonha que rapidamente eles se sentiram ofendidos em sua dignidade.Pior de que isso é ouvir o Dr. Wilton Tavares expor as deficiencias da saúde do governos atual, mas quando passou 8 anos fazendo parte do governo Waldez, sendo inclusive secretário de saúde, estava surdo e mudo para os desmandos que ocorriam na Secretaria e o caos que era o atndimento nos hospitais do Estado.

  • Segundo essa notícia o Amapá deveria ser excelencia em atendimento médico!
    A Organização Mundial de Saúde RECOMENDA 1 médico para cada 1.000 habitantes… se só na rede pública temos 534 médicos e macapá possui, segundo o IBGE, 515.883. temos uma relação de um médico para cada 966 habitantes… sem falar dos médicos da rede privada! TEMOS MAIS MÉDICOS DO QUE A OMS RECOMENDA porque não temos uma SAÚDE como a OMS recomenda? ELES estão dando plantões corretamente?

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