Bom dia!

Argumento
(Paulinho Da Viola)

Tá legal, eu aceito o argumento,
Mas, não me altere o samba tanto assim,
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro, e de um tamborim.

Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar
Faça como o velho marinheiro
Que durante o nevoeiro, leva o barco devagar!

  • “Tá legal, eu aceito o argumento,
    Mas, não me altere o samba tanto assim,
    Olha que a rapaziada está sentindo a falta
    De um cavaco, de um pandeiro, e de um tamborim.”
    O trecho acima, foi em alusão a um samista famoso nos anos 70, que à época estava introduzindo um instrumento novo para o samba. Alguém pode confirmar esse fato?

    • Oi, Aderaldo, vamos ver se lhe ajudo.
      Paulinho da Viola cresceu ouvindo velhos choros e sambas tradicionais, com cavaco, pandeiro e tamborim; seu pai era membro do Época de Ouro, que tocava com o Jacob do Bandolim.
      Dizem que Paulinho não gostava da bolerização do samba, embora concordasse com alguns arranjos modernos. Segundo o Paulinho da Viola, o samba “Argumento”, de 1975, nasceu de uma conversa com o pessoal da Portela. A discussão era sobre a infiltração e descaracterização que as escolas de samba estavam sofrendo.
      Embora dissessem que isso fazia parte de um processo evolutivo, Paulinho não gostava, achando que era uma mentira que prejudicava o samba.
      Por isso ele dava o recado em “Argumento”:
      “Olha que a rapaziada está sentindo a falta/De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim”. Não conhecia essa história do Benito di Paula que o Cléo citou, mas faz sentido.
      E então o Paulinho arrematava, sugerindo uma volta às origens do samba: “sem preconceito ou mania de passado”.
      Aquele final (“Faça como velho marinheiro …”) é muito filosófico. Faz parte da simplicidade dele.
      Minha fonte principal foi a Nova História da Música Popular Brasileira (Abril Cultural, 1976), fascículo Paulinho da Viola.
      Um abraço.

    • Oi, Aderaldo.
      Me tire uma dúvida: onde você se insere na família Gazel?
      Conhecí vários parentes seus desde o tempo em que, menino, morei na Fazendinha: dona Humbertina, seu esposo Leopoldino, os filhos Heloísa, Leonardo, Pedro e Paulo (gêmeos), Cláudio, mais uma irmã cujo nome não lembro. Depois eles foram morar em Macapá.
      A Heloísa estudou no antigo IETA e depois foi minha professora de ciências no Colégio Amapaense. Mais tarde se formou em medicina e acho que ainda mora em Belém. Pedro e Paulo, também (me parece que o Pedro já partiu para outro plano.
      Encontrei a dona Humbertina nos anos 90 em Belém quando voltou de Fortaleza, já viúva e foi minha vizinha, por pouco tempo.
      Um abraço.

  • Oi, Alcinéa.
    Gostei muito da postagem, principalmente do final da letra. Considero o Paulinho da Viola muito feliz nessa afirmação, recomendando calma para os momentos difíceis: “faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar”. Grande frase.
    Um abraço.

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