Chá das cinco

MACAPÁ
Donato dos Santos

Minha cidade morena,
Minha crioula tão bela:
Cheirosa flor de açucena,
Cor de cravinho e canela.

Quando relembro teus passos
Primeiros da tua história,
Parece-me ouvir compassos
Da tua árdua trajetória.

Ainda ti vi criança,
Minha amada adolescente.
O quanto de confiança!
O quanto de amor carente!

Os teus amados partiram,
Minha morena tão bela.
Rapidamente sumiram,
Velozes como a procela.

Eles deixaram saudades!
Essa é uma grande verdade,
Entre muitos… Julião.
Quando ao som do marabaixo
Ninguém ficava por baixo,
E todos cantavam o refrão:

“Aonde tu vais, rapaz
Por este caminho sozinho?
Vou fazer minha morada
Lá nos campos do Laguinho.”.

Ficaste como quem sonha
Ficaste como quem chora.
Nessa demência tristonha,
Cada malandro te explora.

Esse é o risco do sucesso
De quem deseja crescer.
Quem te promete progresso
Mais te faz empobrecer.

Desperta minha cidade!
Levanta dessa indolência.
Tua maior necessidade
É deixar a incredulidade
E buscar em Deus providência.

(Donato dos Santos – Poeta amapaense, professor de várias gerações no antigo GM – hoje aposentado e morando no Rio de Janeiro)

  • Meu querido Professor de Desenho da 5ª, 6ª, 7ª e 8ª Séries. Grandes discursos no aniversário do GM!

  • Amapazinho, o apelido do Prof. Donato, dá a dimensão de seu carinho por nossa terra. Ele consegue fazer uma declaração de amor à Macapá e concomitantemente dar um grito de alerta para os bons entendedores.
    Uma braço, Mestre Donato, com a saudade dos tempos do querido GM.
    Evaldy

  • Conheço Donato, esposo de Ibéria, ambos professores aposentados que viveram as dificuldades do início da nossa querida Macapá. Sei que este poema já tem algum tempo de escrito… mas como se encaixa nos nossos dias!

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