Especial – Macapá 253 anos

Macapá do meu coração!
Ray Cunha

Adelantado de Nueva Andaluzia, assim foram chamadas as terras tucujus, futura Macapá, por Carlos V de Espanha, em 1544, numa concessão ao navegador espanhol Francisco de Orellana. Macapá nasceu de um destacamento militar, instalado em 1738 na Praça São Sebastião, atual Veiga Cabral. Em 4 de fevereiro de 1758, o capitão-general do Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fundava a Vila de São José de Macapá, e foram surgindo edificações, como a Fortaleza de São José de Macapá.

Amo muitas cidades. Cada uma delas marcou meu coração. Há, contudo, uma que me ilumina, pois é como uma mulher que desejamos por muito tempo e que de repente está diante de nós, nua, aos primeiros raios do sol de julho. Macapá emerge da boca do rio Amazonas avançando na Linha Imaginária do Equador, e quando a cidade nos engole, mergulhamos num mundo prenhe de jasmineiros que choram nas noites tórridas, merengue, a poesia azul da Alcinéa Maria Cavalcante, a casa do Fernando Canto, que recende ao Caribe de Gabriel García Márquez, mulheres cheirando a Chanel número 5 e maresia, o embalar de uma rede no rio da tarde, mapará com pirão de açaí, tacacá, Cerpinha.

Quando entro neste santuário, dispo-me de todas as feridas, e oferto rosas, pedras preciosas e luz, toda a minha riqueza, aos que eu amo, e te chamo, Macapá, de querida!

Sempre me perco em ti, e sempre de propósito, numa vertigem da qual só me recupero em Brasília, dias depois. As viagens que fazemos no coração são vertiginosas demais para a pobre física terrena. A casa da minha infância, cada palavra que garimpei em madrugadas eternas, cada gota de álcool com que encharquei meus nervos, cada mulher que amei nos meus trêmulos primeiros versos, cada busca do éter, nas noites alagadas de aguardente, os jardins da casa da Leila, no Igarapé das Mulheres, o Elesbão, a casa da Myrta Graciete, a casa do poeta Isnard Brandão Lima Filho, na Rua Mário Cruz, o Macapá Hotel, o Trapiche Eliezer Levy, estão para sempre no meu coração, que enterrei na Rua Iracema Carvão Nunes.

  • Luiz Nery. Com esse passeio histórico do imortal poeta Ray Cunha,eu como morador do bairro do remanso,hoje pedaço do bairro central,parabenizo minha Macapá querida com o paragrafo da poetisa paraense Eneida de Moraes.
    ¨Quero abrir minha Aruanda,meu passado e meu presente para que ela deixe de ser apenas minha e se torne de todos,pois para mim nada existe de meu:a própria vida é um bem coletivo.

  • Minha terra querida,maltratada por alguns,mas muito,muito adorada pela maioria,meus parabéns,que Deus continue abençoando nossa gente tucuju e nossa terra linda por natureza.

  • Parabéns a minha terra mãe. Sou mais um filho adotado. Estou temporariamente fora, com meu coração apertado querendo voltar.

  • Parabéns à minha cidade Natal! Por esse dia, com todos os seus problemas, mas é impossível se desligar de nossas raízes, por mais que almejemos mudar de cidade, por motivos profissionais, nunca deixamos de amar nossa terra, de não lembrar da infância, da Escola Integrada de Macapá – GM, do Colégio Amapaense – CA, daqueles desfiles de 13 de Setembro. Outro dia em comentário, fui obtuso, claro!. E logo vieram as críticas, mas sem fundamento, até porque duvido que o autor(es), tenham lido a declaração que o filosofo Rosseau fez a sua Genebra, quisera eu poder sentir como ele, aquele amor e aquele orgulho. Parabéns Macapá, te carrego no meu RG. E sempre hei de ouvir – ele é de Macapá!

  • Sou do buritizal, comedora de ingá, pupunha, abil, farinha e açaí.
    Da Escola Sebastiana Lenir lembro dos prf. Carlos Alberto, Jose Raimundo e Cutrim..aulas maravilhosas, mesmo para adolescentes.
    Do bairro, lembro da sorveteria tuti fruti e da Farmacia Copeia. Da feira do agricultor, às sextas. Do café com tapioquinha da D. Regina(minha mãe).
    Que saudade dos banhos de chuva na calçada da Igreja Sagrado Coração de Jesus e dos namoros tambem (rezando p/ que o papai nunca “pegasse”!!!). Do Padre Dante e da recreação depois da missa de sábado.
    Que o Sagrado Coração de Jesus nos proteja! Parabens Macapá, terra abençoada!

  • È um relato da alma, exclusivo dos poetas.Muita beleza, é um depoimento de muitos amapaenses que o Ray soube colocar tão bem.

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