Hoje tem missa dos quilombos

Missa dos Quilombos: sincretismo religioso, fé e tradição
Mariléia Maciel, assessora de comunicação do Governo do Amapá

Os preparativos para a Missa dos Quilombos estão em ritmo de caixas desde o início da semana no Centro de Cultura Negra do Amapá (CCNA). Ela faz parte da programação da Semana da Consciência Negra e XVII Encontro dos Tambores e é o momento mais religioso da festa e símbolo do sincretismo religioso entre o catolicismo e crenças de matriz africana.

Na Missa, os dois segmentos religiosos se encontram na fé e unem os rituais no decorrer da celebração. Ela vai acontecer neste domingo, 20, no CCNA, a partir das 20h, e será presidida pelo padre Paulo Roberto e pai Salvino.

Uma banda, formada por negros e negras, faz a diferença da missa junto com o coral, dando à celebração um ritmo marcado pela percussão e cordas que acompanham os cânticos das duas religiões. Ela tem ainda no repertório canções populares que enfatizam a luta dos negros no Brasil.

O ritual de oferta se transforma em uma farta distribuição de frutas e outros alimentos, como pipoca, que faz parte da cultura afro-religiosa. Outro momento marcante é o banho de cheiro que perfuma o ambiente. Feito com flores e ervas, o banho simboliza a purificação do espírito.

As comunidades que participam do Encontro dos Tambores e adeptos dos cultos afros formam uma parcela significativa da plateia unindo bandeiras, imagens de santos, roupas brancas, saias floridas, filas, bíblias e muitos adereços femininos.

A maioria da população acompanha de pé, cantando e dançando ou sentada nas arquibancadas e bancos trazidos de casa. Os líderes religiosos dão-se as mãos e se abraçam demonstrando respeito e são seguidos pelos participantes.

A missa acontece tradicionalmente no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, em homenagem à Zumbi dos Palmares, que foi líder do Quilombo dos Palmares. O local onde a missa é celebrada é no anfiteatro, que tem na arquitetura uma marca da saga dos negros escravos. Em forma de círculo, onde os negros expressavam sua cultura acorrentados, é lá também que as comunidades apresentam suas danças no Encontro dos Tambores, que começou dia 18 e se estende até 27 de novembro.

  • SInceramente, acho justo que o governo tome conta do Centro de Cultura Negra, pelo menos tirava das mãos dos dirigentes irresponsáveis que hoje norteiam aquele espaço. O CCN está abandonado, sem energia (só foi religado agora para o Encontro dos Tambores), com uma dívida impagável e só funciona uma vez ao ano. Só é limpo uma vez ao ano e últimamente só tem servido para festas de um tal pagode vip. Moro no Laguinho e acredito que seria mais interessante que o governo retire a UNA de dentro do CCN e use o espaço para a finalidade que foi construido.

    • Caríssimo, você poderia sair do muro e fazer sua parte, ao invés de criticar sem saber o que realmente acontece.
      O Centro de Cultura Negra é propriedade da União dos Negros do Amapá, ele esta daquele jeito, por conta de pessoas como você, que ao invés de ir lá e ajudar, busca apenas criticar. A terra onde o CCNA está construído era da Prefeitura de Macapá e foi doada integralmente para a UNA, o espaço físico foi construído pela UNA com o apoio irresponsável do Estado, que há época, valeu-se da UNA para eleger-se.
      Você está pedindo muito deste Governo, a SECULT não consegue administrar o que ela tem, como por exemplo: Fortaleza de São José de Macapá, Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva, Biblioteca Pública, Teatro das Bacabeiras, Museu do Índio Oiapoque, Sambódromo e outros. Sem falar no Parque de Exposição de Fazendinha, este só é usado uma vez ao ano. O que você acha disso?
      Nossa Saúde esta na UTI, Segurança Pública Uma desorganização só. Educação, sem solução. Ah! Fala sério!!!
      O Governo tem que apoiar a UNA, pois ela tem história, as pessoas que lá estão, tem a coragem de defender coisas que você de repente, nunca buscou saber, mas vou te falar.
      Você sabia que quando a ICOMI queria jogar no quilometro 37 o rejeito de manganês contaminado, foi a UNA que lutou e não permitiu que tal mal acontecesse. Sabe o que significaria isso, caso acontecesse, simples, você e a cidade inteira, poderiam está tomando água contaminada, correndo o risco de contrair câncer. Outra situação, foi a importância da UNA, na estima do povo amapaense, pois antes da UNA o negro não se assumia como tal, hoje diminuiu e muito o percentual de pessoas que negam a sua própria raça. O Encontro dos Tambores é um dos maiores exemplos positivos da UNA, graças a ele, o Amapá passou a valorizar a cultura do Marabaixo, do batuque, do zimba e outros elementos da cultura negra.
      Sabemos que o CCNA precisa funcionar, mas não será o Governo que gestará isso, será sim a UNA, com o apoio do Estado, Município e União.
      Por fim digo-lhes, para quem está fora é fácil falar, o problema é quem está dentro, pois estes demonstram a coragem de se sujeitarem as opiniões descabidas de quem não faz nada para melhorar a vida de seu povo.
      Desculpa, isso pode ser um desabafo.

      • A UNA administra o CCN desde de sua construção, e hoje, quase 15 anos depois, deve cerca de 300 mil para a CEA, tem dívidas impagaveis (pergunte a Raimundinha sobre isso), não pode receber recursos, tem suas contas bancárias bloqueadas… realmente, a UNA tem história, não achas? São oficiais de justiça que sempre batem a porta para penhorar ou remover algo que foi dado como GARANTIA e que não foi pago. Infelizmente acabaram com uma praça que era muito mais proveitosa que um centro que só funciona uma vez no ano, que tem o ano TODO para trabalhar, mas por comodidade dos seus diretores, quando chega próximo do Encontro dos Tambores, vai com o pires na mão pedir ajuda governamental. Mas, me entenda bem, não sou contra os irmãos negros, acho justo que suas lutas sejam reconhecidas, o que não concordo é com a PÉSSIMA/HORRIVEL administração daquele lugar que poderia servir para outros fins.

      • Ah, ia esquecendo de uma coisa, como vou lá ajudar, se o CCN só vive fechado, abandonado, sujo, imundo, onde seus diretores só aparecem próximo do Encontro dos Tambores?

  • Tristeza imensa, as caixas não soaram como todos os anos, o som foi de tristeza. Em pleno dia 20 de novembro, um ataque intenso, foi destilado em direção a União dos Negros do Amapá, de forma covarde, a Secretaria Estadual de Cultura, desrespeitou a UNA, primeira entidade na história do Amapá, a discutir Igualdade Racial, tudo isso porque não acompanhou a trajetória política do PSB, nos ultimos anos.
    O Centro de Cultura Negra, capta os recursos do Encontro dos Tambores, e rateava entre as comunidades negras, que apresentam no periodo, acontece que desde o ano passado, o governo do Estado, enrola e não repassa recursos para realização do evento, permanecendo uma divida, que é repartida entre a UNA e Comunidades Negras que participaram do Encontro ano passado, como se não bastasse, este ano o Jé Miguel, como de costume, tenta golpear o segmento negro amapaense, justamente este, que sempre abriu as portas para o “VIDA BOA”, em todos os encontros Jé Miguel sempre apresentava e inclusive elogiava os eventos efetuados pela UNA.
    Hoje a história é outra, ele usa os meios de comunicação pago pelo Estado, para contar mentiras, repete-se a história de Zumbi, um negro trai a confiança do líder maior, para que o inimigo tente tomar seu quilombo. O Jé Miguel, juntamente com outros negros cooptados, tentam tomar o espaço físico do Centro de Cultura Negra, como se não bastasse para o Estado o Parque de Exposição que funciona apenas no periodo da Expofeira, imaginem só, o Estado arrecada todos os dia.
    Este 20 de novembro, foi cheio de tristeza, pessoas chorando, vendo o Governo com suas camisas de coordenação, acabando com um evento tão lindo, que foi criado, executado e vivido por negros amapaenses, negros que não negam sua história, negros que sempre estaram alí, resistindo as maiores perversidades do que imagina ser ditador.

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