O Amapá na bienal de teatro

Texto: Genário Dunas, Educador Cultural do SESC-AP

O Grupo Desclassificáveis, que vem desenvolvendo e difundindo o teatro no estado do Amapá, começa a colher frutos. O grupo acaba de ser selecionado para representar o estado na 1ª Bienal Nacional Potiguar de Teatro, que será realizado na cidade de Natal-RN, no período de 28 de julho a 02 de agosto. Trata-se de um festival competitivo, onde haverá o encontro de grandes nomes do teatro nacional. Participarão dessa primeira versão os estados do Rio de Janeiro, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Alagoas, Ceará, Bahia, Amapá e espetáculos do estado sede, Rio grande do Norte. O festival ainda contempla oficinas, debates e palestras. Foram mais de duzentos espetáculos inscritos de todo o pais e o Amapá garantiu uma vaga através do Grupo Desclassificáveis .

O espetáculo DESCLASSIFICAVEIS,   montagem do  Grupo Desclassificáveis de Teatro,  aglutina em sua montagem, uma vasta informação de elementos, hoje, bastante discutidos pelos os que produzem teatro nesse país. O espetáculo foi concebido através dos estudos e leituras dos textos teatrais do Jean Janet, bem como de sua biografia. Um grupo que vem em constante pesquisa acerca dos estudos teatrais. É sobretudo um  mérito do grupo que investe e investiga o universo teatral. DESCLASSIFICÁVEIS traz uma concepção bem delineada dos elementos fundamentais de um bom espetáculo. Traz  uma dramaturgia definida por meio de pesquisa, tendo a frente da direção  Paulo Alfaia,  que vem da corrente filosófica de um teatro pensado, implantado aqui no Amapá pela saudosa guerreira Zeniude Pereira.  Uma concepção cênica criada com toques de sutileza, transportando a platéia, em vários momentos, à península Ibérica. A música explorada em algumas cenas é um elemento  que transcende  a  memória espanhola ou portuguesa. No entrelaçar de cenas, o silêncio explorado complementa as falas e determina o fechar dos diálogos.  O elo estabelecido entre o elenco  e suas interpretações é de uma brilhante complexidade, que faz a platéia prender sua respiração.

O elenco é composto por  Sandro Gemaque, Madison Sousa e Junior Stork. A direção do espetáculo é assinada por  Paulo Alfaia.

  • O Movimento Cultural Desclassificaveis tem como eixo norteador a pesquisa e a valorização do trabalho de ator na construção de sua estética e busca de uma dramaturgia propria.No entanto,está aberto a qualquer proposta cênica que valorize a construção e valorização da produção artistica amazônica.
    Nos identificamos como habitantes urbanos em uma amazônia que não se limita ao regionalismo, a lendas e fábulas que não traduzem e nem limitam o potencial e o fazer teatral dos grupos amapaenses.E nem muito menos limita-se a espetáculos pautados na política do evento e do teatro comercial.Nós do Desclassificaveis valorizamos o trabalho de grupo continuado e de desvencilhado de uma politica cultural alicerçada no riso fácil e sem proposta de uma dramaturgia comprometida com a trangressão.
    Paulo Alfaia- presidente do movimento Cultural Desclassificaveis.

  • Tive o privilégio de inaugurar o Teatro das Bacabeiras com a peça “Contos e Encantos da Amazônia”, sob direção do Carlinhos, onde fiz o papel de boto. Para mim, o Carlinhos é um artista cênico completo, uma vez que escreve, dirige e atua no palco. Não conheço ninguém do grupo Desclassificáveis e, sem querer desmerecer seu trabalho, não me identifico com o estilo de montagem apresentado pelo grupo. Prefiro temas regionais com bastante movimento.

    • Quero Parabenisar por fazer parte da história do teatro amapense.Infelizmente não tive a oportunidade de conhecer o seu trabalho na cena.Porém, independente da proposta e da estética ou preferências quanto o trabalho que realiza.O Movimento Cultural Desclassificaveis fas parte do que está sendo produzido no Estado.O trabalho do grupo é focado na valorização do trabalho do ator e busca muito mais que uma estética.Mas, principalmente a construção de uma dramaturgia que valorize a palavra e um teatro desvencilhado da política do evento.O que é muito comum na cidade.Em recente encontro criamos o conceito “amazonurbanidade” onde nos identificamos como cidadãos amazônicos e portadores de um potencial artistico e criativo e urbano.Onde nossa dramaturgia não se limita a textos regionais e nem muito menos a nossa lendas,fábulas e mitologia amazônica.respeitamos toda e qualquer linguagem artistica independente das minhas preferenças pessoais.O nosso valoriza a pesquisa, o trabalho em grupo e continuado.E, sobretudo a formação de plátéia e a valorização de textos teatrais.Espero que tenha oportunidade de assistir nossos espetáculos e compartilhar suas idéias.Temos o hábito de após as apresentações abrirmos para um bate papo informal para falarmos do nosso processo criativo.Idéias sempre são bem vindas e a cidade necessita de bons críticos teatrais.
      Abraços
      Paulo Alfaia
      Presidente Do movimento Cultural Desclassificaveis

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