Rolará leva para a avenida do samba a vida e a arte de Antonino Homobono

Antonino Homobono é tema do Rolará neste carnaval

O bloco Rolará homenageia neste carnaval o saudoso Antonino Homobono, artista amapaense que brilhou mundo a fora e foi considerado um dos  grandes desenhistas de quadrinhos.

Toninho – era assim que o chamávamos em Macapá – nasceu no Pará, mas era considerado amapaense uma vez que veio para cá com a família aos três anos de idade. Na juventude foi estudar em Belém e em 1974 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde mostrou todo seu talento e foi reconhecido por grandes artistas, editoras e amantes dos quadrinhos.
Toninho era meu amigo. Dele guardo boas, alegres e ternas lembranças da nossa adolescência em Macapá. Às vezes dá uma saudade danada dele.
Não sou fã de blocos, gosto mesmo é de escola de samba, mas por causa dele já estou até pensando em comprar o abadá do Rolará e cair na folia cantando assim:
“saudade nos deixou
hoje Rolará na avenida
Tonho, sua arte e sua vida”

Para que você saiba um pouco mais sobre o Toninho reproduzo um texto do Francisco Ucha, originalmente publicado no Planeta Mongo.

“Em 27 de abril do ano de 1953, nascia em Afuá, pequena cidade ao norte do Pará conhecida como “Veneza Marajoara”, um dos grandes desenhistas dos quadrinhos brasileiros: o talentoso Antonino Homobono Balieiro, ou simplesmente “Tonho”, como era chamado pelos seus familiares. Como me informou Karla Balieiro, a simpática sobrinha desse grande mestre do desenho, ele foi o décimo filho de Raimundo Marques Balieiro e Carminda Homobono Balieiro, de um total de 12 que o casal teve. Aos 3 anos a família se mudou para Macapá, capital do Amapá, onde passou a infância. Fez o Primário na Escola Alexandre Vaz Tavares e o Ginásio na Escola Integrada de Macapá, antigo Ginásio de Macapá (equivalentes ao Ensino Fundamental). Antonino cursou o Ensino Médio (antigo Científico), no Colégio Amapaense. Autodidata, ele chamava a atenção de todos desde bem jovem por causa de sua grande habilidade artística quando fazia caricaturas e desenhos em vários estilos. Trabalhou na Escola Cândido Portinari até trocar Macapá por Belém (PA) e, logo em seguida, por Imperatriz (MA). Finalmente, em 1974, tomou a decisão de se mudar para o Rio e tentar se matricular na Escola de Belas Artes. Obviamente ele foi aprovado no curso mas… perdeu a inscrição porque nunca acreditou que passaria! Quando tomou coragem para ver o resultado, Antonino viu o seu nome na lista dos aprovados como desistente!

Se bem o conheço, isso era típico do Antonino. Longe de ter medo do fracasso, o mestre do desenho era avesso a concursos e formalidades burocráticas. Afinal, por que fazer algum teste para estudar numa escola de Belas Artes? Isso era totalmente desnecessário, principalmente para quem tem talento! Deveria ser uma obrigação ter vaga. Era o que certamente passava pela cabeça dele. Então, ele optou por deixar de lado essa “chance”. Perdeu a Escola de Belas Artes um aluno absolutamente brilhante e o Brasil ganharia, bem mais cedo, um artista de mão cheia! Logo ele estaria produzindo as aventuras do Falcon em quadrinhos, desenvolvendo projetos para a Rio Gráfica e Editora (hoje, Editora Globo) e desenhando histórias de faroeste e terror para a Vecchi e Bloch. Além de fazer trabalhos free-lancer para diversos estúdios de arte e agências de publicidade.


O desenho acima é da fase da Bloch Editores. É uma página da história Sementes do Mal, publicada na revista Capitão Mistério 28. Aliás, Antonino é considerado um dos melhores desenhistas de histórias do Príncipe das Trevas no Brasil. Mas ele era eclético. Além de diversas capas de faroeste para livros de bolso, esse artista incansável fez também desenhos para diversas capas de vídeo em algumas das empresas em que trabalhei. Entre elas, ele ilustrou capas para National Kid, Pernalonga, Patolino, Freddy Krueger, Gasparzinho e Betty Boop. Estes dois, por exemplo, aparecem no desenho ao abaixo, para uma capa de vídeo com uma seleção de desenhos animados clássicos.”

  • Só se homangeia quem se admira! Como irmã agradeço a oportunidade que teremos de chorar, cantar e dançar um pouco do talento e sensibilidade do Tonho. Digo um pouco porque ele permeava na escrita de seus desenhos/personagens. Avesso a vaidade, não se autopromovia. Mas quando estamos juntos (familia) a conversa não tem fim. Com ele, não havia de ser diferente. Foi em abril/97, após visitarmos a exposição com quadros de Monet, passear em Copacabana, Ipanema, comer comida chinesa (ele tinha deixado de comer carne vermelha), poucas cervejas e muita conversa, que ele falou do trabalho que estava fazendo na área de saúde em parceria com a Dra. Cláudia Pieper. Ao receber as publicações (ainda as guardo), que ele me deu: Equipe D em ação (colaborando na educação e prevenção do diabetes) e, Tio Julião – o amigo do peito (a medida certa no controle do DMNID), encontrei registrado os textos médicos da Dra. Claudia e a história, roteiro, desenhos, cores, criação de Antonino Homobono. E a conversa continuou ele me dizendo que há muito, se permitia escrever o texto de suas criações.
    Agora nos permite, através do Bloco Rolará, ser lembrado de forma alegre e feliz como o sorriso e que o acompanhava e a vida que desejava.

  • Dentre os homens bons, guardo um apreço especial por quem caminhava entre o peso e a leveza com a habilidade dos artistas. O tempo de convívio foi pouco, mas de uma doçura que nos é presente até hoje quando a saudade, companheira eterna dos homens bons, nos surpreende…

    Há tempos escrevi sobre ele:

    “Um deles, talvez, o que carregue na essência a bondade dos homens, não conseguiu se adaptar ao mundo. Alheio aos desastres diários preferiu viver entre livros, poesias, pinturas. Preferiu passear na praia, conhecer museus. O mundo não era, em definitivo, o lugar dele. E assim, quando ele cansou de tanta “pequenice”, foi se alojar no melhor lugar que poderia existir: na memória de quem o conheceu. Em tardes ensolaradas, com os irmãos reunidos,com cheiro de peixe na brasa, sabemos nós, todos os homens bons, que ele está ali, com seu sorriso encantador, seus cabelos rebeldes. As moscas que surgem para atrapalhar a comilança,logicamente, devem ser obra dele. Afinal, ainda que quieto, ele também é a diversão. É. Jamais será. Jamais terá sido. Quem está vivo em um coração, jamais será parte de um passado.”

    Que o samba consiga fazer surgir em todos o sorriso único desse homem que eu orgulhosamente chamo de TIO!!!

  • Meu irmaozinho do coração grande …defeito de família!
    Estarei na avenida…vou cantar, chorar e tbm me esbaldar eu e minha filha Samantha. Meu filho Rafael, até lá talvez consiga convence-lo. Tonho era seu padrinho de Batismo.
    Estamos sem esse talento há dez anos (2001-2011)

  • José Carlos, realmente ele morou na rua Senador Vergueiro, no Flamengo. Minha avó morava lá também e foi onde eu estive com ele pela última vez, em seu apartamento.
    Quanto ao enredo da música do bloco, apenas senti falta por não mencionarem seu trabalho desenhando o gibi do Sítio do Picapau Amarelo, época em que convivi e trabalhei com ele, durante mais de 3 anos. Abraço,

  • José Carlos Silva Carneiro Cheguei ao Rio em ´75 e o Antonino já estava aqui. Costumávamos sair aos sábados pelo Centro do Rio visitando livrarias, incluise a Leonardo DaVinci aonde ele tinha crédito pra comprar livros de artes. Ele casou com uma colega minha da Varig e, da última vez que o vi morava no Flamengo. Sinto saudades dele. Foi um grande artista, amigo e meu padrinho de casamento.

  • Um enredo inteligente, com justa homenagem. É quando o carnaval presta serviço à cultura. Toninho é tio de minha amiga Débora Homobono. A família está se mobilizando para agitar no Rolará.

  • Que linda homenagem, emocionante! Conheci o Antonino em 1977 quando comecei profissionalmente como desenhista de HQ na RGE (Rio Grafica e Editora, hoje Editora Globo), no Rio de Janeiro. Antonino sentava na prancheta ao meu lado, de onde inclusive tirei a foto P & B postada acima. Foi meu mestre de desenho e amigo, e com sua personalidade forte e cativante me marcou para sempre, então… Antonino Homobono Balieiro para sempre!!

    • Que bom ter contato com você e saber que você fotografou o nosso amigo.
      Depois vou colocar o crádito na foto e se você puder ceder mais uma ou duas fotos dele ficarei grata.

  • Recebi esta triste noticia a semana passa quando conseguimos nos encontrar, atraves de do Facebook, depois de muitos anos, eu e sua irma Socorro. Para mim foi uma grande surpresa quando escreveu que meu amigo Tonho ia ser homenageado no carnaval. Tudo bem, depois caiu a ficha. No Brasil so se faz homenagens depois da morte.
    Eu e Homobono, como era conhecido entre os amigos, sempre fomos bons amigos, todos dias nos encontrava-mos, mesmo porque, ele trabalhava na Olaria Territorial e eu morava em frente.

  • Oh saudade desse sorriso…Grande Tio Tonho… Grande pessoa…Grande artista… Sou feliz de te-lo conhecido, mesmo que por tão pouco tempo. Quem lembra dessa foto dele tão sorridente? Foi no dia do batizado da minha filha Ádria Balieiro(sobrinha-neta). Neste carnaval Rolará muita alegria na Evaldo Veras com a Arte de Antonino Homobono…e eu? Estarei lá com minha filhotinha…Venham conosco!

  • Grande Tonho!
    Realmente é uma homenagem muito digna, para quem foi e continua sendo uma pessoa apaixonante.
    Ainda hoje lembro dos desenhos que ele me ensinou a fazer, afinal tive a oportunidade de começar alguns traços com ele, e não poderia esquecer dos animais na floresta, que fazia com aquarela.
    Lembranças de sua última visita à Macapá e a minha casa, foi como uma despedida, ele deixa em mente sempre aquele jeito sorridente de ser, seu sorriso era inebriante. Quanta saudade!
    Era um grande artista e um grande incentivador da arte.
    Parabéns pela excelente matéria.
    Ele nos deixou muitas boas lembranças.
    Um grande abraço e saiba que estarei no Rolará, vamos participar desse bloco e viver a alegria.

  • Perfeito o post! Não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas conheci seus trabalhos e sem dúvida alguma ele é merecedor desta homenagem que lhe é feita.
    Parabéns Alcinéia e bloco Rolará pela iniciativa.
    Agora nos falta um memorial em sua homenagem.

    Abraço.

  • Oi, amiga:
    Conheci o Homobono (irmão do Bira, da Socorro, da Ana) nos tempos de Alexandre Vaz Tavares, lá pelos anos 60.
    Em seus cadernos de Grupo Escolar já mostrava para o que veio: desenhos de personagens do Velho Oeste americano, que a gente conhecia por farwest, faroeste, bang bang etc.
    Um abraço.

  • Homobono, recém chegado do Rio, foi meu mestre nos primórdios da Escola Cândido Portinare. Lembro, com saudade, como ficava encantado com seus desenhos em P&B. Tive muita sorte por ter convivido e aprendido os caminhos das artes com pessoas de grande talento e carisma como o Homobono e R. Peixe.

  • Fico muito feliz pela homenagem do bloco ao meu Tio , que tive a oportunidade de conheçe-lo ainda menina!Mas uma pessoa muito especial para mim,sempre presente em minhas lembranças de criança.

  • Não conheci o Tio Antonino da minha amada Karla, mas a história de vida dele mostra a trajetória de sucesso de um verdadeiro artista, visto por muitos dos apreciadores dos gibis, apesar de abrigado pelo anonimato da profissão. A alegria do samba em homenagem a Antonino Homobono Balieiro contagia e ao mesmo tempo reconhece que o povo do norte, da veneza marajoara ou da querida Macapá, é talentoso e querido! Com o coração fincado na Favela, desfilarei com a familia na avenida!!!

  • Que massa essas informações!! Sou apaixonado por desenhos, charges e coisas do tipo e é bacana saber que por aqui passou um cara do nível do Antonino! Valeu mesmo a informação! Parabéns!

  • Pessoa alegre, carinhosa e amiga era o Tonho. Ninguém esquece aquele sorriso! A avenida será nossa. Sempre lembro dele ao escutar aquela música do Osvaldo Montenegro: “Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais…”

  • Quero agradecer ao pessoal do Bloco Rolará pela homenagem ao meu saudoso irmão. Estaremos na avenida sambando com alegria e saudade!

  • Estamos aguardando ansiosamente a apresentação do Bloco Rolará trazendo essa homenagem maravilhosa ao tio Tonho! O meu abadá está encomendado! Corre para pegar o seu! rsrsrs

    • Nooossa. Além de bom desenhista de quadrinhos ele conseguiu a façanha de reunir toda a família: Darcy, Horacina, Karla, Luciano. Deve ter te influenciado também, Guto. Você desenha muito bem, mas direcionou teu talento para a engenharia civil. Lembro-me da tua coleção de revistas do Conann na casa do tio João e tia Raimunda (Pagoinha). Que saudade!

  • Meu amigão merece esta homenagem. Eu vou sair na avenida! Lembro a última vez em que fui ao Rio… Tomávamos água de côco, cervejinha, comíamos peixe. E andavámos abraçados pelo calçadão… “Saudade nos deixou…”. Obrigada, Alcinéa. Dá um abraço no meu amigo Soeiro!

    • Sim, também adorei! Eu desconhecia… Não só os jovens. E os de fora, poxa! Eu sou um “jovem amapaense” hehehe.

  • Alcinéa… Oh, Alcinéa… Obrigada. Adorei ver as fotos do meu tio no teu blog. Estava ansiosa para que as pessoas soubessem quem ele é e o motivo da homenagem, ele foi um grande artista e a maioria dos amapaenses nem sabem disso.
    Obrigada pela carinhosa publicação!

  • Pô, Néa, mais um caso de EXCELÊNCIA AMAPAENSE. Que bom ouvir falar de alguém que fez nosso pedaço de chão brilhar, usando a palha de aço do talento. O conheci nos anos 70, quando ele namorava minha colega de sala. Deus abençoe!

    • Oi, Vania! Na verdade Tonho e Prudêncio são irmãos… rsrsrs
      O tio Prudêncio ainda mora na Pedro Baião, assim como tia Graça e a minha mãe, que foi casada com o Albino. Um abraço!

    • Cara Vânia, realmente o tio Antonino era uma pessoa maravilhosa, mas com um pequeno ponto no seu comentário, o tio Prudêncio é irmão e não tio do Antonino. rsrsrs

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