Artigo dominical

O falcão acomodado
Dom Pedro José Conti,Bispo de Macapá

Um grande rei ganhou de um amigo dois filhotes de falcão. Imediatamente os entregou ao mestre encarregado da criação desses pássaros para que, depois de crescidos e adestrados, servissem durante as suas aventuras de caça. Depois do tempo necessário, o mestre comunicou ao rei que um dos dois falcões estava perfeitamente pronto para as caçadas.

– E o outro? – perguntou o rei.

– Lamentavelmente o outro tem um jeito meio esquisito. Talvez tenha alguma doença rara que não conhecemos: nunca sai do galho da árvore onde foi colocado desde os primeiros dias. Nós mesmos temos que levar comida para ele.

O rei convocou os melhores veterinários, médicos e curandeiros do reino, mas ninguém conseguiu fazer com que o falcão saísse do lugar. Generais, conselheiros da corte e cientistas tentaram também, mas o falcão continuava firmemente empoleirado no galho. Dia e noite, o rei o olhava pela janela e o via imóvel, sempre no mesmo lugar. Finalmente decidiu pedir ajuda aos súditos do seu reino: qualquer um podia sugerir um remédio.

No dia seguinte, ao abrir a janela do seu quarto, viu o falcão voar majestosamente pelo jardim. Logo quis saber quem era o autor do milagre. Apresentaram ao rei um jovem camponês.

– Você conseguiu fazer o falcão voar, como fez isso? Tem alguma mágica no meio?

– Não – respondeu timidamente o jovem – simplesmente cortei o galho onde o falcão estava parado. Assim ele percebeu que tinha duas asas e começou a voar.

Se fosse tão simples assim tirar todos os preguiçosos e acomodados dos seus lugares seria bom demais. No entanto a historinha permite que nos aproximemos um pouco mais da comparação que Jesus faz, no evangelho deste domingo, entre ele, o Pai, a videira, os ramos e a vida dos cristãos.

Em primeiro lugar, devemos distinguir entre a poda e o corte. Jesus diz que o ramo que não produz fruto é cortado. O ramo seca e serve apenas para alimentar o fogo. Diferente é o que acontece com a poda: o ramo que produz fruto é podado, justamente, para que produza mais fruto. No caso da videira, todo agricultor sabe que a poda é absolutamente necessária para que haja uma boa produção de uva gostosa. Se não houver poda, a energia vital do tronco da videira se dispersa nos muitos ramos, e a produção fica escassa.

Entendendo a comparação, a poda em si é um sofrimento necessário para que a árvore produza cada vez mais e melhor. Podemos resumir o ensinamento de Jesus em poucas palavras: os ramos devem aceitar ser podados e limpos pelo Pai, que é o agricultor, mas somente conseguem produzir bons frutos os cristãos que ficarem unidos a Jesus, o tronco da videira.

Mais uma vez Jesus nos lembra da necessidade de caminharmos juntos com ele; de acreditarmos na unidade como primeiro, mais visível e, talvez, mais valioso fruto de quem quer pertencer ao grupo dos seus seguidores. Naquela mesma noite em que Jesus pronunciou as palavras do evangelho deste domingo, deixou também o mandamento do amor – será o evangelho do próximo domingo – e rezou muito pela unidade dos seus amigos. Amor e unidade andam juntos. A divisão pode não significar ódio entre as pessoas, mas, com certeza, é o resultado da indiferença e do desinteresse de uns para com os outros.

Toda separação e divisão são o contrário do amor. Este pede aproximação, alegria e desejo de estar juntos. Onde tem amor e unidade também tem a preocupação com quem não está presente, percebe-se a sua falta, nasce o desejo de não perder ninguém. Amor e unidade são frutos bons, agradáveis, mas só acontecem se todos continuam unidos ao tronco que é Jesus. É nele e com ele que se faz unidade e é possível aprender a amar de verdade. Quando prevalecem os individualismos, os interesses particulares, as disputas pelo poder, o resultado é divisão e mais e mais confusões. Nenhuma divisão produz frutos bons e úteis para todos. Podem ser bons para alguns, mas não o são para os outros. Podem dar alegria para alguns, mas nunca para todos.

Por isso os cristãos devem aceitar também a poda, para que a unidade e o amor cresçam: é a poda do nosso orgulho pessoal; de querermos ser os únicos possuidores da verdade; da vontade de humilhar os outros; ou de fazer as coisas cada um por sua conta. Muitas podas são necessárias para chegar à unidade, mas vale a pena. Quando uma família, um grupo, uma comunidade, uma paróquia, uma diocese, a Igreja toda vive unida, tudo se torna mais fácil. As forças se somam, as iniciativas alcançam os objetivos, o amor se multiplica. Somente o amor atrai. A divisão afasta porque cria partidos, disputas e controvérsias. Quem está bem acomodado no seu galho, achando que o mundo todo gira ao seu redor e não move um passo para a unidade e a colaboração, acaba isolado e produzindo muito menos bondade do que pensa. Está na hora de cortar o galho para voar junto com os outros.

Artigo dominical

As cicatrizes
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Naquela tarde o calor era muito grande. Sem pensar duas vezes a criança pulou no igarapé que passava bem perto de sua casa. Estava acostumada a aproveitar do refrigério da água. A mãe olhava tudo pela janela e viu, com horror, um jacaré aproximar-se perigosamente do menino. Imediatamente correu para o igarapé, gritando com toda a voz que tinha. A criança ouviu e logo nadou para a beira onde estava a mãe, mas o jacaré já tinha agarrado as suas pernas.  O animal era muito forte, mas a mãe estava decidida a salvar o seu filho. Ouvindo os gritos, um caçador, que passava por perto, percebeu o perigo e conseguiu atirar no jacaré, matando-o. A criança tinha ficado gravemente ferida, mas estava salva. Em poucos meses voltou a caminhar. O fato se espalhou e, mesmo depois de muito tempo do acontecido, as pessoas pediam ao menino para mostrar as cicatrizes das presas do jacaré. O menino suspendia a calça e mostrava os sinais das feridas daquele dia pavoroso. Imediatamente, porém, ele arregaçava também as mangas da camisa e orgulhosamente mostrava, nos seus braços, outras cicatrizes. Eram marcas deixadas pelas unhas da mãe que o havia apertado com todas as suas forças naquela hora.

Uma história de amor e de heroísmo como tantas outras que, com certeza, o nosso povo conta sem cansar, porque faz bem lembrar a coragem e a determinação das pessoas que não se poupam por uma causa justa e nobre. Nós cristãos acreditamos também que Jesus nos tenha amado ao ponto de oferecer livremente a sua própria vida. Ele mesmo se apresenta, no evangelho deste domingo, como o “bom pastor”, aquele que não foge quando chega o lobo, mas o enfrenta até dar a própria vida para defender as ovelhas. Diferentemente, o pastor-mercenário abandona o rebanho porque não está interessado com a vida das ovelhas, mas sim com o dinheiro que ele ganha. É movido pelo interesse e não pelo amor. Quando escutamos estas palavras do evangelho não temos como negar que o nosso pensamento corre imediatamente aos “pastores” de ontem e de hoje: os homens e as mulheres que encontramos nos caminhos da vida. Numa hora difícil, de sofrimento, de incerteza e de desespero, é uma graça de Deus quando aparece alguém para estar ao nosso lado. Esses são os “bons pastores” da vida.

Claro que devemos pensar também nos padres, nos religiosos e religiosas, nos missionários, que atuam nas nossas comunidades, mas qualquer um de nós pode ser “bom pastor” para alguma ovelha sofrida que aparece à sua frente. Todos nós podemos dar um pouco da nossa vida, do nosso tempo e do nosso coração para quem está precisando. Os mercenários e  interesseiros, ao contrário, perguntam-se quanto vão ganhar se ajudarem os necessitados; o quanto vão faturar em publicidade; o quanto a imagem deles vai brilhar. Afinal, eles querem chamar atenção só para si. Os verdadeiros “bons pastores” agem de outra forma: preocupam-se mais com a vida dos outros do que consigo mesmos. Ficam felizes somente quando a vida das ovelhas está preservada e garantida.

Essas atitudes generosas e solidárias, porém, não deveriam aparecer apenas em casos extraordinários. O amor fraterno não pode ser reservado a atos de heroísmo. Todo dia deveríamos fazer o bem e todo dia deveríamos ajudar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Nesse sentido, devemos entender também as vocações sacerdotais e religiosas. São chamados especiais a seguir o Senhor Jesus, mais de perto, para manter viva e atual a sua memória, a sua presença viva, o seu exemplo. Quem se dedica inteiramente à evangelização e à caridade, vivendo na pobreza, castidade e obediência, o faz porque atraído pelo amor de Jesus, o único Bom Pastor, modelo de todos os pastores e de todos os que doam a sua vida a serviço do rebanho. Nós rezamos pelas vocações sacerdotais e religiosas para que nunca faltem “bons pastores” para o rebanho. Precisamos mesmo de pastores, consagrados e consagradas, que ajudem a todos a ser fiéis no seguimento de Jesus.  No entanto devemos agradecer ao Pai porque também existem “pastores e pastoras” no meio do povo que vivem com generosa dedicação ao seu batismo na família, na profissão, no sofrimento, na solidariedade, na animação de grupos e de comunidades. Muitos deles são exemplo para os próprios consagrados, sabem aconselhá-los desinteressadamente da maneira e na hora certa. Amigos que sabem quando falar e quando calar; sabem ter muita paciência, também quando não são ouvidos e compreendidos. Tenho certeza que nas nossas paróquias e comunidade existem muitos bons pastores e pastoras, “pais e mães” de padres, religiosos e religiosas, que já salvaram vários deles dos assaltos de lobos e jacarés disfarçados de ovelhas. Também para eles e elas, hoje, a nossa oração e o nosso muito obrigado.                    

Artigo dominical

João o mendigo
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Num centro para mendigos e moradores de rua, um alcoólatra de nome João, considerado até então um beberrão irrecuperável, ficou tocado pela generosidade dos voluntários do centro, e mudou completamente de vida. Tornou-se a pessoa mais serviçal de todas. Dia e noite, João ajudava incansavelmente. Nenhum serviço era humilde demais para ele. Podia ser a limpeza de um quarto, onde algum bêbado tinha passado mal, ou esfregar os banheiros imundos.

João fazia tudo o que lhe pediam sorrindo e visivelmente agradecido porque  era-lhe permitido ajudar. Sempre era possível contar com ele, quando precisava dar comida na boca de alguma pessoa extremamente fraca ou tirar o agasalho e colocar para dormir alguém que já não dava mais conta de fazer isso sozinho.

Uma tarde, o capelão do abrigo falou ao grupo dos presentes sobre a necessidade de pedir a Deus força para mudar. De repente um homem levantou, aproximou-se do altar, caiu de joelhos e começou a gritar:

– Ó Deus! Faça que eu me torne como João! Faça que eu me torne como João!

O padre aproximou-se dele e lhe disse:

– Ó meu filho, talvez fosse mais certo você pedir: Faça que eu me torne como Jesus!

– O homem olhou para o capelão e com jeito de quem não entende bem perguntou: Por quê? Jesus é como João?

Uma história simples e de mendigos para imaginar como seria o mundo se nós cristãos fôssemos confundidos com Jesus. Com certeza não pelos discursos e nem pelos milagres, mas simplesmente pelas atitudes amorosas de serviço e fraternidade.

A página do evangelho deste domingo é a continuação de outra muito conhecida: a dos discípulos de Emaús. Após terem reconhecido Jesus ao repartir o pão e terem admitido que as palavras dele tinham aquecido e reanimado o seu coração triste, voltaram imediatamente para Jerusalém. Desta vez foi no meio da comunidade reunida que Jesus vivo e ressuscitado apareceu para explicar os acontecimentos e enviar todos eles em missão. Várias vezes os evangelhos dizem que antes da paixão, morte e ressurreição de Jesus, os discípulos não entendiam bem o sentido de tudo aquilo, mas agora, aos poucos, as coisas iam se clareando. Tudo o que tinha acontecido podia ser explicado com as Escrituras e fazia parte de um maravilhoso plano do amor de Deus.

Aquele pequeno grupo que tinha conhecido e seguido Jesus naqueles anos chegou à conclusão que o agir e o falar dele só podiam ser o agir e o falar de Deus. Nos gestos e palavras de Jesus, na sua morte na cruz e na sua ressurreição era possível afirmar a presença do Pai. Em Jesus, Deus tinha manifestado toda a sua vontade, tudo o que ainda faltava dizer à humanidade para que acreditasse. A certa altura, aqueles poucos homens e mulheres se sentiram tão amados por Jesus, tão seguros de sua fé nele, que não conseguiram mais guardar para si a boa notícia e saíram pelo mundo afora para anunciar o jeito novo de viver e morrer de Jesus. Quem o seguisse no caminho da cruz, passando pela porta estreita da doação da própria vida para servir aos irmãos, também um dia teria parte da sua ressurreição. A novidade de tudo aquilo era tão grande que, diz o evangelho, eles tinham dificuldade de acreditar de tão alegres e surpresos que estavam. A fé não pode ser triste, como também não pode deixar de ser surpreendente, porque, se assim não fosse, deixaria de ser fé e se tornaria simples raciocínio, ideologia ou explicação humana.

Eles deviam ser testemunhas da “novidade” Jesus. Mas como? Anunciando, no nome dele, a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações (cf. Lc 24,47). De lá até hoje nunca mais a comunidade dos cristãos deixou de obedecer à ordem de Jesus: testemunhar tudo aquilo, comunicar em todo lugar e a todas as gerações o que Jesus tinha dito e feito. A história da comunidade de Jesus, que nós chamamos de Igreja, está aí, com os seus altos e baixos, com os seus santos e os seus pecadores.

A Boa Notícia de Jesus nunca mais parou. Os tempos mudaram, mas ao coração humano, que busca o sentido da vida e da morte, do bem e do mal, da alegria e do sofrimento, os exemplos continuam a falar mais do que as palavras.

O mundo continua precisando muito de testemunhas que vivam o que afirmam acreditar. Somente outros tantos “Jesuses”, em carne e osso, podem convencer os outros a vencer os medos e as dúvidas e acreditar, de coração sincero, na bondade do Pai.

Precisamos de mais e mais “Joões” como aquele mendigo do abrigo da historinha. A quem pede para ver Jesus, todos os cristãos deveriam poder responder: – Olhe para mim – Ao menos um pouco da “novidade” de Jesus deveria ser visível em nossa vida. Este e somente este é o nosso primeiro testemunho. Depois vem o resto.

Messiânicos

Reverendo Isaac Ezagui, diretor da área norte da Igreja Messiânica, está em Macapá.
Hoje ele comanda marcha de Johrei , amanhã às 19h faz palestra – uma excelente oportunidade para quem quer conhecer a doutrina messiânica – e quarta-feira ele faz a outorga de novos membros.
O endereço da Igreja Messiânica em Macapá é Avenida Almirante Barroso entre as ruas Hamiltom Silva e Manoel Eudóxia. A Igreja fica aberta das 7h30 às 21h.

O que é Johrei?

“Johrei é palavra criada por Meishu-Sama com a junção de dois ideogramas da língua japonesa que significam JOH – “purificar” e REI – “espírito”. Assim ele denominou o método de canalizar com as mãos, a intangível, infinita e poderosa energia que, pela sua origem e benefícios, é considerada Luz Divina.

A felicidade ou a infelicidade depende do nível espiritual de cada um. Quanto mais impurezas espirituais e físicas o homem acumula, mais pesado fica o espírito, decaindo nas camadas do mundo espiritual , onde a luz é escassa. O Johrei purifica as impurezas do homem e possibilita que ele se eleve espiritualmente para camadas onde a Luz é intensa. A Luz é a fonte da saúde, da sabedoria e da felicidade.

 

Assim explica Meishu-Sama: “A pregação das doutrinas religiosas agem do exterior para a alma. Mas o ato purificador do Johrei projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a instantaneamente. Os que ingressam, alcançam rapidamente uma percepção superficial e, em seguida uma percepção mais profunda. Além de superarem suas próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a eliminar as tragédias alheias.”
Como ele atua?
As invisíveis, mas poderosas ondas de luz que irradiam durante o Johrei, eliminam as impurezas impregnadas no ser humano, revitalizando sua força natural de recuperação, também chamada força curativa natural.
Por que o Johrei é diferente?
Todas as práticas energéticas que objetivam restaurar a força curativa natural do ser humano, usam energia que emanam do próprio praticante, o que restringe a sua ação devido ao limite da condição humana. Porém, como o Johrei não utiliza a força humana, e sim a energia vital do universo, potencializada por Meishu-Sama, pode ser praticado indefinidamente e, o que é melhor, quanto mais se pratica, mais energia se recebe.
Alguns benefícios do Johrei:
Desperta o homem para a existência do Criador;

Fortalece-o para que ele possa ultrapassar osdesafios da vida;
Torna-o saudável física e espiritualmente;
Torna-o mais sereno e pacífico;
Eleva a sua inteligência e a sua personalidade;
Expande a sua aura, protegendo-o dos infortúnios;
Possibilita-lhe perceber melhor a abundância e as oportunidades,propiciando a sua prosperidade;
Fortalece o sentimento de gratidão e altruísmo.”
(Texto extraído do sítio Igreja Messiânica Mundial)
Clique  aqui  para ler interessante matéria sobre uma pesquisa que revela o poder da energia liberada pelas mãos.