Tardes de domingo

Ah, as famosas sessões de domingo à tarde, no Cine João XXIII, onde a gente se divertia com Carlitos, se empolgava com o Zorro e chorava com a Paixão de Cristo.

A entrada era pela Rua São José (onde hoje é o  shopping Vila Nova) e a saída pelo Largo dos Inocentes, bem atrás da Igreja de São José.

Nas tardes de domingo um programa imperdível era assistir filmes do circuito nacional no Cine João XXIII.
Era lá que os jovens marcavam o primeiro encontro com a namorada ou namorado. Quem chegava primeiro guardava a cadeira do outro (a) e quando as luzes se apagavam, aí sim, todas as cadeiras eram ocupadas e os novos casaizinhos assistiam ao filme de mãos dadas. Nada de beijo na boca no primeiro encontro.
Era lá também que a molecada trocava revistas e figurinhas. Muitos meninos iam ao cinema só para trocar revistas. Chegavam lá com aquele monte de  Zorro, Tarzan, Superman, Roy Rogers, dentre outras,  embaixo do braço (não se usava mochila nessa época). Às vezes a fila parava por causa das trocas. Era um tal de “já leu? Já leu? Não. Bora trocar essa por essa” e assim todos voltavam para casa felizes com “novas” revistas para ler que, claro, seriam trocadas no domingo seguinte.
Ah, depois do cinema os jovens  iam dar uma voltinha no trapiche Eliezes Levy (que era também um passeio obrigatório nas tardes de domingo) e se os pais tivessem dado um dinheirinho extra era como um “vale-sorvete”. Sim, quem com um dinheirinho no bolso deixaria de tomar um sorvete servido em taças de inox pelo garçon Inácio no Macapá Hotel? Lembro de colegas que passavam a semana toda juntando uns trocadinhos  (inclusive o dinheiro dado pelos pais para a merenda) só pra tomar no domingo o sorvete do Macapá Hotel.

Do meu velho álbum de retrato

Essa menina aí sou eu com 16 anos. Minha rua não tinha asfalto, as casas não tinham muros, no máximo uma cerquinha de madeira pintada de branco. A maioria das casas era de madeira, cobertas de palhas ou telhas de barro e as janelas eram venezianas. A casa que aparece nesta foto era do professor de educação física e campeão de natação Anselmo Guedes, o “Tio”, a família ainda mora no mesmo endereço, mas a casa já não é assim. Hoje é de alvenaria e muro alto.
E ao lado da casa do “Tio” a casa do Siqueira, motorista de ônibus e de caminhão. Quando o caminhão estava lá estacionado, a molecada se divertia brincando na carroceria. O Siqueira deixava. Não se importava com isso.
Ele era casado com a professora Rosa, com quem teve vários filhos cujos nomes começavam com a letra R. Depois que ele morreu a família mudou-se para outro bairro. A casa foi vendida, demolida e construída outra no lugar.

O início da televisão em Macapá

O início da televisão
Cléo Farias de Araújo*

Antes de 1974, só assistia televisão quem viajasse pra fora de Macapá. Belém era o lugar mais próximo. Era comum alguém, “querendo aparecer” pros outros, dizer que assistiu tal programa ou tal novela em Belém. Imagem, mesmo, só nos cines João XXXIII, Macapá e Paroquial, pois ainda estávamos na era da novela de rádio.

Depois de algum tempo, surgiram boatos de que, na casa do Seu Assis da SEVEL, a antena era tão poderosa que pegava uma emissora de Caracas, na Venezuela. Aí começou a multiplicação de antenas na cidade. Lembro que tinha uma na casa do Pachequinho e outra, na casa do seu José Maria Papaléo, da CAESA. Motivado, meu pai chegou até a comprar uma TV p/b, Colorado RQ, com pernas girafa. Papai, eu e meu irmão mais velho, instalamos a antena. Pra conseguirmos alguma possibilidade de imagem, a antena teria que ficar em lugar bem alto. Assim fizemos. Era um monte de cano de ferro, cheio de argolas, por onde passávamos umas cordas, a fim de sustentá-la. No dia da inauguração da nossa “retransmissora”, parece que o mundo todo estava fora do ar, pois só apareceu chuvisco. E a gente ficou com “cara de burro na frente da igreja”. Descobrimos que, ao menos lá em casa, esse empreendimento foi mera balela. Ainda assim, ficamos vários dias, olhando a TV, enquanto um de nós ia lá fora, para mudar a antena de posição.

Imagem e som inteligíveis, só mesmo com a criação da TV, em nosso pedaço tucuju, no ano de 1974, para a transmissão da copa do mundo da Alemanha. Posteriormente, em 1975, virou TV Amapá. Ali, por algum tempo, trabalhei indiretamente, pois eu tocava numa banda (na época, chamavam-se conjuntos) que fazia a parte musical do programa “Tabajara Família Show”, nas manhãs de sábado, com supervisão de Damião Jucá de Lima.

Porém, há um fato a registrar, pois, em certo lugar de Macapá as transmissões começaram quase dez anos antes.

Em 1967, tal qual Chico Orellana, em relação a Cabral, vindo da Leopoldo Machado, aportou na Av. Mendonça Furtado, ao lado da casa do Sr. Milton Barbosa, um inventor que antecipou o sonho da imagem e som, fora do cinema, ou seja, reproduzidos, conjuntamente, em um aparelho portátil. Esse garoto, com apenas 11 anos criou, de maneira econômica, o invento que revolucionou sua família: uma televisão.

A peça criada, consistia numa caixa de papelão (daquelas nas quais se acondicionavam latas de leite daquela marca famosa) com o fundo cortado, como se fosse uma TV de verdade. No lugar, colava-se papel de seda branco ou amarelo-claro. Atravessando horizontalmente a caixa, a fim de segurar os artistas, um pedaço de fio grosso ou barbante. Para iluminar o invento e fazer com que as figuras aparecessem na TV, era usada uma vela ou lamparina (casa de pobre tinha muito disso). Além disso, o garoto cortou uma figurinhas em papel de embrulho, daqueles rosa ou cinza, das compras feitas nas tabernas do seu Nabi, seu Manoel da Estrela, no Borracha ou no seu Ladico, pois antigamente não havia supermercado e, geralmente, todo dia tinha que se fazer compra para atender as necessidades caseiras.

Como todos os filhos daquela família estudavam pela manhã, suas tardes, após o almoço, eram nas sessões de TV, já que os moleques daquele tempo não dormiam à tarde.

Passearam pela telinha vários heróis. Da Branca de Neve ao Zorro, pois o inventor, copiando o som das novelas de rádio (O Direito de Nascer e Jerônimo, o Herói do Sertão), aprendeu a fazer bem o barulho dos tiros, tropel de cavalos, água jorrando e trovão. Todos os dias a TV era ligada, para alegria da molecada daquela casa. Tempo em que a imaginação transportava os “telespectadores” aos níveis mais altos dos sonhos infantis. Tudo ia muito bem, até o dia em que a mãe da família chegou em casa, à tardinha e nenhuma tarefa doméstica fora feita.

Camas por arrumar,
Casa por varrer,
Louça por lavar,
Tudo por fazer!

Naquele dia ficou fácil se ver pedaço de zorro, Roy Rogers, seus cavalos, Noviça Voadora, Tarcísio Meira e Glória Menezes de papel por todo lado. Até o Batman e o Superman sucumbiram, pois agindo igual ao pessoal da ditadura, quando acabou com o “Jornal do Povo”, a dona da casa não só destruiu a emissora, como distribuiu “aplausos” pelas “mãos” de um famoso “artista”: um galho de goiabeira retirado naquele momento e destinado a “reger a orquestra de ociosos”.

Depois, “de couro quente”, após realizarem as tarefas domésticas, a meninada foi autorizada a construir outra emissora, com a seguinte lição: “Primeiro a obrigação. Depois, a devoção”!

*Cléo Farias de Araújo é advogado, escritor, poeta, membro da Academia Amapaense de Letras

Nota triste – Morre o escritor Walcyr Monteiro

Internado desde o início do mês para tratar-se de pneumonia, morreu na madrugada de hoje o meu amigo Walcyr Monteiro, 79 anos, grande escritor paraense.

Jornalista profissional, numismata, sociólogo, ufólogo, acadêmico das letras e do samba, Walcyr é autor de vários livros. Ficou conhecido em toda a Amazônia com o clássico “Visagens e Assombrações de Belém”, que conta os causos das lendas e da cultura do Pará. O livro rendeu produções audiovisuais, como dos roteiros do longa-metragem Lendas Amazônicas (1998) e do curta-metragem Visagem (2006).

Em 2014 ele esteve em Macapá e participou do Movimento Poesia na Boca da Noite. Walcyr  era meu amigo.

Walcyr participando em Macapá do Movimento Poesia na Boca da Noite. Na primeira foto eu declamando pra ele.

Leia a matéria do site Ver-O-Fato

WALCYR MONTEIRO – Morre o escritor paraense que retratou a alma e os mistérios da Amazônia

O escritor, jornalista, sociólogo e ufólogo, Walcyr Monteiro, de 79 anos, faleceu nesta madrugada na cidade que ele tanto amava e na qual ficou conhecido, dentre outras obras, pelo clássico “Visagens e Assombrações de Belém”. O velório será realizado a partir das 9h na capela do Memorial Max Domini.

No começo deste mês, Walcyr foi internado em um hospital para cuidar de uma pneumonia, mas a doença fragilizou outros órgãos, como explicam seus familiares no comunicado do falecimento, na página do escritor no Facebook.
Bom de papo e na arte de conquistar amigos, Walcyr, que no serviço público chegou a presidir o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), enriqueceu a literatura amazônica com um estilo próprio de contar nossas lendas e causos.
Em uma de suas últimas entrevistas, ano passado, ao jornal “Diário do Pará”, Walcyr Monteiro – integrante da Academia Paraense de Jornalismo (APJ) e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), dentre outras entidades – falou de seu “grande amor pela Amazônia, pelo Pará e por Belém”. “Antigamente, as pessoas colocavam as cadeiras defronte das portas das casa e contavam lendas, mitos e histórias de visagens, assombrações e encantamentos, tanto de Belém, como de toda Amazônia”, relembra.
Àquela altura, dizia o escritor, Belém não tinha edifícios, e, à noite, só as programações de cinemas, ou seja, não havia a vida noturna que há hoje. “Então contar e ouvir histórias era uma grande diversão. E isto aconteceu até chegar a televisão. Quando esta chegou em Belém, foi uma febre só: quem tinha dinheiro, comprou televisão, quem não tinha, virou televizinho, ou seja, ia ver televisão na casa do vizinho.
E as cadeiras saíram defronte das casas para defronte da televisão, que “roubou” a atenção de todos para as telenovelas. E com isto deixou-se de contar as histórias. Pensando que ia desaparecer esse traço cultural tão fascinante da Região (e muitas histórias, por falta de registro, realmente desapareceram), comecei a publicar aos domingos, no jornal “A Província do Pará”, as visagens e assombrações de Belém, que foi o passo inicial para os livros que se seguiram depois”.
Perguntado se as histórias que havia resgatado do imaginário popular poderiam cair no esquecimento, ou mesmo desaparecer, ele foi incisivo: ” acho que pode sofrer modificações, como acontece com todo o saber humano, mas desaparecer, cair no esquecimento mesmo, jamais”.

Ontem e hoje

Monumento mais antigo de Macapá, com um estilo de arquitetura que os jesuítas trouxeram da Europa, a Igreja de São José foi inaugurada em 6 de março de 1761.
De lá pra cá passou por várias reformas e restaurações. Sua arquitetura original passou por algumas mudanças, como é possível  comparar nas fotos. Originalmente ela tinha apenas uma porta.

Retrato em preto e branco

Estudantes do Colégio Amapaense, dirigentes do Grêmio Ruy Barbosa, numa manhã ensolarada de domingo no início da década de 1960. Foto feita na Piscina Territorial, que era o badalado ponto de encontro da juventude naquela época.
Em pé, da esquerda para a direita: Iranildo Pontes, Laercio Monteiro, Edemburgo Almeida, José Maria Nery, Ernani Marinho e Francisco Quintela.
Agachados: Abemor Coutinho, Pedro Assis Azevedo, José Borges Tavares, Augusto Monte e Guioberto Alves.

Há 30 anos o poeta e jornalista Alcy Araújo partia para o cais definitivo

“Canto a terra
a dor dos aflitos
e a inútil esperança dos desesperançados.
Também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia.”
Alcy Araújo
(1924-1989)

Há 30 anos o poeta dos anjos, dos jardins, do cais Alcy Araújo partiu para o cais definitivo

Encontro sempre Deus no meu jardim à noite principalmente se há luar.
(Alcy Araújo)

“Eu sou Alcy Araújo, poeta do cais. Proprietário de canções e esperanças
quando são mais nítidas as horas de sofrer.”

Alcy Araújo Cavalcante – o  poeta do cais, dos anjos, das borboletas, do jardim clonal, dos marinheiros e de tudo que merece ser amado – nasceu no distrito de Peixe Boi (PA), no dia 7 de janeiro de 1924.
Criança ainda transferiu-se com a família para Belém, vivendo depois em pequenas cidades da região norte para onde seu pai, Nicolau Cavalcante, era destacado para implantar os serviços de Correios e Telégrafos.
De retorno a Belém, Alcy cursou a Escola Industrial tornando-se mestre marceneiro e de outras especialidades relacionados ao ofício, que exerceu por algum tempo.

No entanto o talento literário, a vocação pelo jornalismo e um precoce desenvolvimento intelectual levaram Alcy a trocar a bancada da oficina pela escrivaninha do jornal, em 1941, com 17 anos de idade.
Por mais de uma década trabalhou nos principais jornais do Pará como repórter,articulista,  redator e chefe de reportagem, entre eles a Folha do Norte, O Estado do Pará e O Liberal.

Veio para o Amapá na década de 50, trazido pelo poeta e amigo Álvaro da Cunha. Aqui exerceu importantes cargos, assessorou vários governadores, dirigiu jornais, lutou pela emancipação política e administrativa desta região, combateu a exploração dos recursos naturais, fez importantes trabalhos de pesquisa sobre rizicultura, erosão dos solos, pesca no litoral, entre outros. Contudo, acredito que a maior contribuição dele ao Amapá deve ser aferida pela sua imensa e constante participação na vida intelectual e artística – tanto através da imprensa, como nos demais instrumentos e instâncias da cultura amapaense.
Amante das artes, foi ele que lutou, ao lado de R.Peixe, pela criação da Escola de Artes Cândido Portinari e do Teatro das Bacabeiras.

“Aqui estão as minhas mãos, falando palavras feitas de pássaros e de ausências e
cantando canções sonhadas em segredo.” (Alcy Araújo)

Junto com Álvaro da Cunha, Ivo Torres, Arthur Nery Marinho e Aluízio da Cunha, movimentou o segmento cultural amapaense criando clubes de arte, promovendo noites lítero-musicais, apoiando artistas plásticos, músicos, poetas e escritores,  fundando e dirigindo revistas culturais difundindo a cultura do Amapá por este Brasilsão, entre mais tantas coisas que deixariam imenso este texto se fossem listadas aqui.

“Ele foi um dos mais macapaenses de todos os paraenses que ajudaram a desenvolver o Amapá”, escreveu certa vez o jornalista Hélio Penafort.

Foi editor, noticiarista, diretor, colunista, articulista e editorialista de vários jornais amapaenses. Jornalista emérito, arguto analista dos problemas dos problemas sócio-econômicos do Amapá, foi na poesia que Alcy Araújo universalizou mais profundamente seu talento. É um dos poucos poetas do Norte a figurar na “Grande Enciclopédia Brasileira Portuguesa”, editada em Lisboa. Está também nas enciclopédias “Brasil e Brasileiros de Hoje”  e “Grande Enciclopédia da Amazônia”e em tantas outras obras como “Introdução à Literatura”, “Poesia do Grão Pará”, Antologia Internacional Del Secchi, Coletânea Amapaense de Poesia e Crônica, Antologia Modernos Poetas do Amapá e coletânea “Contistas do Meio do Mundo”.

Em 1965, pela Editora Rumo, foi lançado seu primeiro livro: Autogeografia (poemas e crônicas). Em 1983, comemorando os 40 anos de Alcy dedicados à poesia,  a Editora do MEC lançou no Rio de Janeiro seu livro “Poemas do Homem do Cais” e em 1997 foi lançado pela Associação Amapaense de Escritores o livro “Jardim Clonal”.

Numa noite de sábado, 22 de abril de 1989, Alcy Araújo partiu para o cais definitivo levado pelas mãos do seu Anjo da Guarda. Partiu deixando inéditos, prontinhos para publicação, os livros “Ave Ternura”, “Histórias Tranquilas”, “Cartas pro Anjo”, “Mundo Partido”, “Terra Molhada”, “Tempo de Esperança”, “Poemas pro Anjo do Natal”, entre outros, que a família tem esperança de um dia vê-los publicados e sonha com a publicação da “Poesia Completa”, deste que foi o maior poeta do Amapá.
Alcy Araújo Cavalcante, meu pai, tinha a alma pura,  de criança que acredita no Natal e na Esperança e assim cheio de esperança colocou sua poesia a favor da luta por um sociedade melhor, livre das desigualdades e das injustiças.

Participação
Alcy Araújo

Estou convosco.
Participo dos vossos anseios coletivos.
Vim unir meu grito de protesto
ao suor dos que suaram
nos campos e nas fábricas.

Aqui estou
para juntar minha boca
às vossas bocas no clamor pelo pão
sancionar com este rumor que vai crescendo
a petição de liberdade.

Estou convosco.
Para unir meu sangue ao sangue
dos que tombaram
na luta contra a fome e a injustiça
foram vilipendiados em sua glória
de mártires
de heróis.

Vim de longe
percorrendo desesperos.
Das docas agitadas de Hamburgo
das plantações de banana da Guatemala
dos seringais quentes do Haiti.
Vim do cais angustiado de Belém
dos poços de petróleo do Kuwait
das minas de salitre do Chile
Passei fome nos arrozais da China
nos canaviais de Cuba
entre as vacas sagradas da Índia
ouvindo música de jazz no Harlem.
Afundei nas geladas estepes russas.
morri ontem no Canal da Mancha
e hoje no de Suez.
Tombei nas margens do Reno
e nas areias do Saara
lutando pela vossa liberdade
pelo vosso direito de dizer
e de amar.

Estou convosco.
Voluntariamente aumento o efetivo
dos que não se conformam
em viver de joelhos
morrendo sufocando lágrimas
nas frentes de batalha
nas prisões
para dar à criança recém-parida
o riso negado aos vossos pais
o pão que falta em vossas mesas.

Meu filho
e o filho do meu filho
saberão que o meu poema não se omitiu
quando vossas vozes fenderem o silêncio
e ecoarem inutilmente nos ouvidos de Deus.

Alcy não se separava da sua máquina de escrever – uma olivetti portátil – nem quando precisava ficar internado para cuidar da saúde. Na foto, o poeta internado no Hospital São Camilo, recebendo a visita do amigo e compadre padre Jorge Basile e escrevendo.