Resenha crítica do livro Paisagem Antiga

Resenha crítica do livro Paisagem Antiga
Por Fernando Canto

Alcinéa Cavalcante é, hoje, a herdeira abençoada de uma geração de poetas amapaenses do início do Território Federal do Amapá que conseguiram expressar seus sentimentos telúricos e representar um modelo de criações modernistas no contexto amazônico. No meio desses poetas estavam seu pai Alcy Araújo junto com Álvaro da Cunha, Ivo Torres, Aluísio Cunha e Arthur Nery Marinho, que chegaram a publicar revistas, livros e a antologia “Modernos Poetas do Amapá”, em 1960.

Antes da autora, porém, outros vates publicaram trabalhos modernistas, como foi o caso de Isnard Brandão de Lima Filho, Raimundevandro Salvador, Ronaldo Bandeira, Nazaré Trindade, Sílvio Leopoldo (estes já falecidos), Graça Viana, Manoel Bispo e Carlos Nilson. Todavia, o atingir de sua modernidade se dá pela forma diferenciada que busca a simplicidade na extensão de sua memória, o que a torna uma poeta, uma prosadora de notável labor – observando a relação com os poetas antecedentes que deram uma nova feição à construção poética local, ainda que com um atraso de um pouco mais de 20 anos, desde o Movimento Modernista de Movimento Modernista de 1922.

No seu caminhar literário Alcinéa Cavalcante usa a imaginação e a memória e aborda a paisagem como um símbolo identitário iniludível que põe à mesa suas observações de mundo (real) e transforma signos e marcas (e por que não cicatrizes?) em expressões linguísticas, pois o que se segue, tanto nos poemas como nas crônicas são as retenções memoriais retratadas pelo seu olhar sensível e trabalhadas literariamente. E a paisagem é tudo diante dos sentidos: é a beleza do horizonte, o fazer do homem e da mulher, os gestos, os cheiros, os sons, o gosto… enfim, a cultura humana subjacente e primorosa, capturada pelos artistas, estes que exercem o ofício de construir figuras por metáforas, para dotar sua arte de maior valor artístico e interpretativo, além do invólucro que muitas vezes cerceia o entendimento.

No caso do livro aqui abordado, sua literariedade é madura e enfática e surge agora renovada e simples como na fase do cubismo de Picasso, que o fez refletir, já idoso, sobre o discernimento de pintar como uma criança, após tantos anos de rebuscamento e de experiências. Por isso é também comunicativa e significante. Seu prefaciador, o poeta Paulo Tarso Barros, foi feliz ao afirmar que “Parece que sua mão de poeta e mente treinada nos textos claros, objetivos e sintéticos do jornalismo, ao juntar a alquimia verbal que o seu estilo poético e inato tão bem o demonstra, surgem imagens plenas de ternura, sensibilidade e aquela saudade e nostalgia dos tempos da infância que ficou cristalizado na [sua] memória poética[…]”. Esse trecho reforça formidavelmente o que escrevi acima.

“Paisagem Antiga”, é, então, o testemunho de uma cidade em mudança, um impulso que se transforma em sentimentos de angústia e melancolia em contraste com a beleza e a alegria narradas e do profundo amor presente e carimbado em muitos textos do livro que evocam eventos memoriais. O trabalho da autora também traz e distribui tempestuosidades e temperanças. Porém, é mais motor que âncora pois se impulsiona de moto próprio no rio caudaloso e se instaura na literatura renascida e vigorosa sob o céu do equador, porque somente a revelação cósmica dessa atividade criadora, desse entusiasmo criativo confere seriedade à sua dimensão artística. Nela, o vivido, o lembrado, o esquecido, o silenciado e outras formas de interpretação de mundo – reais ou irreais – podem ser escritos e assim dotar a arte literária de um caráter maior e mais humano.

“A Balança e a Pena” – Coletânea reúne crônicas e poemas de membros do Ministério Público

Sete promotores de Justiça e um procurador de Justiça do Ministério Público do Amapá (MP-AP) lançaram, no último dia 5 de junho, a antologia “A Balança e a Pena”. A obra é um misto de experiências pessoais, dentro do contexto jurídico, dispostos em crônicas, poesias, sonetos e pensamentos dos autores. O livro está disponível no formato e-book pelo valor simbólico de R$ 2,00, no site da Amazon.

O título da obra faz referência ao símbolo do Direito e ao instrumento utilizado antigamente para a escrita. O livro traz textos dos promotores de Justiça Adilson Garcia, Alcino Moraes, Anderson Batista, Flávio Cavalcante, Marcelo Moreira, Mauro Guilherme e Roberto Alvares, além do procurador de Justiça Márcio Alves. Os membros do MP-AP são de diversas regiões do país, mas buscaram inspiração nas suas vivências e observações no Estado do Amapá para construir seus relatos.

A obra foi organizada pelo promotor de Justiça, poeta e escritor Mauro Guilherme, autor de mais de dez livros e organizador várias coletâneas.
No prefácio, Mauro Guilherme relata o desejo que há muito tempo mantinha, de reunir textos de membros do MP-AP, uma vez que já conhecia as publicações dos pares na literatura amapaense.

Segundo Mauro foi possível realizar esse sonho em apenas um mês, reunindo o material, que estava em computadores, pen drives, HDs  ou mesmo nas redes sociais dos autores. “Há de se dizer, outrossim, que os operadores do Direito, desde longa data transitaram pela Literatura, como ocorreu com Tomás Antônio Gonzaga, Inglês de Souza, Tobias Barreto e Rui Barbosa, dentre tantos outros, de modo que a presente antologia só confirma o que mostra a história da literatura brasileira”, pontua Mauro Guilherme.

O e-book pode ser adquirido no site da Amazon Livraria Virtual, na plataforma eBooks Kindle: https://ler.amazon.com.br/kp/kshare?asin=B089QYGF6W&id=JDxAggQrQ_C66BrWZTd5XA&reshareId=MQTG916QDV0GN1E5BZD0&reshareChannel=system

“Histórias que eu gosto de contar”

A valorização do herói e a complexidade da alma humana, como assuntos presentes no imaginário das crianças e adolescentes, norteiam os contos do Livro Histórias que eu gosto de contar, da escritora Cléo Busatto. A coletânea apresenta sete narrativas originárias da literatura oral de diferentes povos e origens.

“Este projeto permite a consciência e aceitação do acervo mito-poético de um povo, do olhar transcultural que perpassa suas criações, e promove uma cultura de paz. A escolha por contos populares reforça a ideia da literatura como um espaço de prazer e crescimento pessoal”, explica a autora.

Segundo Cléo, a proposta é também agregar forças aos movimentos que estimulam a produção e promoção do texto literário. “A escolha dos contos sensibiliza o sujeito para a leitura de si e do mundo e promove a ampliação da consciência pessoal pelos conceitos de multiplicidade cultural e alteridade”, avalia.

Como contadora de histórias, Cléo privilegiou contos desconhecidos das crianças para colaborar com a construção de conhecimento sobre a literatura universal. As oito fadas (Coréia do Norte), Flor da Lua (Japão), Elal, o criador dos Tehuelches (Argentina),  Kintu e Nambi (Uganda), O gigante que não podia morrer (Brasil), Paulino, o destemido (Itália) e Os sete corvos (Alemanha) integram a seleção.

As narrativas contemplam temas como bullying, adoção, relações familiares e relacionamentos sociais e, assim, promovem a compreensão de valores como a lealdade, a confiança e a solidariedade. “À medida que apresentamos à criança argumentos poéticos que desestabilizam a crença de um único olhar do homem para si, para o outro e para o mundo, contribuímos também para uma educação pela paz”, diz

Sobre a autora:

Cléo Busatto é uma artista da palavra. Publicou seu primeiro livro Dorminhoco, em 2001. Tem 25 obras editadas, entre literatura para crianças e jovens, teóricos sobre narração oral, oralidade e mídias digitais, que venderam aproximadamente 300 mil exemplares. Eles fazem parte de programas de leitura e catálogos internacionais, como o da Feira do Livro Infantil de Bolonha – Itália. Em 2016, A fofa do terceiro andar foi finalista ao Prêmio Jabuti, na categoria juvenil.

Contou histórias para mais de 150 mil pessoas, no Brasil e exterior. Produziu e narrou histórias no meio digital, resultado de uma pesquisa que originou 5 mídias e 3 livros e foi tema da sua dissertação de mestrado na UFSC. Por conta da pandemia, a escritora também passou a divulgar em suas redes sociais vídeos em que narra contos de fadas, lendas, mitos e contos da sua autoria para as crianças do Brasil e do mundo que estão em casa.

Formou em torno de 80 mil pessoas, em oficinas e palestras, com os temas literatura, leitura e oralidade. Mestre em Teoria Literária, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Pesquisadora transdisciplinar formada pelo Centro de Educação Transdisciplinar – CETRANS/SP. Realizou centenas de ações educativas-culturais em Secretarias de Educação, de Cultura, unidades do SESC e outras instituições públicas e privadas, em mais de 150 municípios do Brasil e do exterior.

(Carolina Tomaselli)

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Cronistas na Linha do Equador – a nova coletânea de escritores amapaenses

Já está à venda na  Amazon.com a coletânea, em formato e-book,  “Cronistas na Linha do Equador” que reúne dez escritores amapaenses. A capa é do conceituado e festejado fotógrafo Floriano Lima.
Organizada pelo escritor Mauro Guilherme, inicialmente estava previsto o lançamento do livro físico em uma grande noite cultural na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, no entanto, por causa  da epidemia,  a festa de lançamento teve que ser adiada sine die, mas a versão digital já está no ar e à venda por apenas R$ 10 . “Estamos primeiramente publicando o livro como e-book, seja porque a obra foi terminada em tempos da pandemia do novo coronavírus, seja porque reconhecemos que o livro digital se transformou em uma nova forma de aproximar o escritor do leitor, em qualquer canto do país ou do planeta“, explica Mauro Guilherme.

Mauro Guilherme: organizador da coletânea

Organizador de várias coletâneas, dentre as quais “Poetas na Linha Imaginária”, “Quinze Dedos de Prosa” e “Poesia na Boca do Rio”, o premiado escritor e promotor de Justiça Mauro Guilherme diz que não entende literatura sem livro, escritor sem obra, nem formação literária sem leitura, daí sempre incentivar os escritores a publicarem suas obras “caso contrário o livro, que morria na gaveta, morrerá nos computadores”. E ele não deixa nenhum de seus livros morrerem no computador, tanto que já publicou mais de uma dezena. São livros de poemas, de crônicas, contos e romances. E quer que assim como ele todos tenham oportunidade de publicar suas obras, por isso desde 2015 vem organizando coletâneas de autores amapaenses.

“Decidimos mais uma vez convidar escritores amapaenses, a fim de que juntos pudéssemos compor uma nova antologia.  O nosso empenho, e os de alguns outros que militam na literatura amapaense, tem sido este. Por isso novamente aqui estamos reunidos aos nossos pares, agora em uma antologia de crônicas”, diz. E ressalta que as crônicas dessa nova antologia  demonstram que a crônica pode viajar por várias estradas diferentes, sem que deixe de ser crônica. Pode ser lírica e intimista como uma poesia, pode ser profunda como um conto, pode ser regionalista, pode ser universal, enfim, todo este universo literário está presente em “Cronistas na Linha do Equador”.

Elton Tavares: “Agora sou um escritor de fato”

Estreando no mundo dos livros, o jornalista Elton Tavares (que vai lançar seu primeiro livro solo depois da pandemia) diz: “É minha estreia como escritor em livro, ainda que seja em e-book. Quando perguntam qual a minha profissão, digo que sou jornalista, assessor de comunicação e editor de um site. Mas que, um dia, gostaria de ser escritor. Pois é, me tornei, de fato, escritor e estou feliz com isso.”

Participam da coletânea os escritores:
Mauro Guilherme
Alcinéa Cavalcante
Bruno Muniz
Cléo Araújo
Elton Tavares
Neth Brazão
Osvaldo Simões
Paulo Tarso
Raquel Braga
Rui Guilherme

EduqBrinq distribui gratuitamente o livro “Crianças Unidas Contra o Coronavírus”. Excelente para os pequenos entenderem e aprenderam como se prevenir

Muito interessante o livro digital infanto-juvenil “Crianças Unidas Contra o Coronavírus”, editado pela EduqBrinq para as crianças aprenderem como se prevenir do novo Coronavírus. O livro está sendo doado para  famílias, escolas, entidades e governos e pode ser baixado no endereço www.eduqbrinq.com.br/livrocorona . É gratuito. Aproveita e baixa logo para dar para os seus filhos, netos, sobrinhos…

O livro aborda de forma lúdica e pedagógica esse assunto tão importante e atual, com foco nas crianças de 6 a 13 anos, apresentando de forma divertida, como uma aventura, o coronavírus, a covid-19 e como se prevenir.

Sabe-se que criança quando tem informação torna-se um agente multiplicador, pois começa a tratar do assunto com os adultos com quem convive e  fazer cobranças no sentido de que eles, os adultos, cumpram as “regrinhas” que elas, as crianças, aprenderam e passam a impor. Né não?

Autores
Os autores são amapaenses. Roseane Lopes é professora aposentada, arte educadora e escritora de reconhecido talento. Ela mora em Belém.
Elder Márcio  é conceituado odontólogo, além de poeta e pianista muito talentoso  Ele reside em Macapá.

 

O novo livro de Pat Andrade

“Uma Noite Me Namora” é o novo livro da poeta Pat Andrade. Ele já está disponível em formato digital.
O livro traz 16 belíssimos poemas. Eu já adquiri o meu, li, reli e recomendo.
Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo  Whatsapp (96)99188-6565

Cabanagem: novo livro de Gian Danton busca apoio no Catarse

1836. A cabanagem foi derrotada em Belém e se espalhou pelos rios da Amazônia. Um pequeno grupo de índios, negros e mestiços liderado pelo misterioso Chico Patuá se dirige para o Amapá singrando os pequenos igarapés da região. No seu encalço, o governo regencial mandou soldados comandados por um psicopata assassino, Dom Rodrigo. Em meio a essa disputa, soma-se outra, quando os seres da floresta resolvem tomar partido na contenda.

Essa é a trama de Cabanagem, romance de fantasia histórica de Gian Danton, que está na plataforma de financiamento coletivo Catarse. A obra mistura fatos reais com mitologia amazônica e terror.

O livro é ilustrado por grandes artistas como Andrei Miralha, Otoniel Oliveira, Rafael Senra, Roberto Oliveira, Antonio Eder, Romahs e Igun D´jorge. Os originais dessas ilustrações serão disponibilizadas como recompensas para os apoiadores.

Para quem não conhece, o Catarse funciona como uma espécie de vaquinha: os apoiadores ajudam o autor a publicar seu livro e recebem recompensas. Há recompensas de 19 reais a 523 reais.

O link do projeto é: https://www.catarse.me/cabanagem_a9fd?ref=project_link

Mauro Guilherme lança “Poesia de Rio” no Luau na Samaúma

Poeta e escritor premiadíssimo, o promotor de Justiça Mauro Guilherme presenteia o público amante das letras com mais uma excelente obra. É o livro de poemas  “Poesia de rio”, que será lançado nesta sexta-feira, 13, no Luau na Samaúma.

Mauro canta, toca e compõe belíssimas canções. Escreve excelentes contos, romances e poesias. É um dos escritores mais premiados. Nascido em Belém (PA) em 1965,  mudou-se para o Amapá em 1991 trazendo na bagagem uma vasta produção literária.

“Aquele tempo que o tempo levou,
não foi tempo perdido.
Foi quando tudo começou.”

De dia atua como promotor de Justiça no Ministério Público do Amapá. De noite tira o terno e a gravata, pega a caneta e agendas e escreve, escreve, escreve… “Escrevo quando todos dormem”, conta.

“A lua está sumindo,
mas o sol pode não chegar.
Tudo isso é vida
tudo isso é tempo
que vai se partindo.
Tudo isso é santo.
Tudo isso é lindo.”

Gosta de escrever à mão, em agendas. Depois corrige, corta palavras, acrescenta outras e aí sim, coloca tudo no computador. “Escrevo em agendas para não perder os escritos. Tenho sempre uma no criado mudo do meu quarto”, revela. E já são muitas agendas. Cheinhas de poemas, romances e contos – vários deles já publicados e premiados.
Começou a escrever com 13 anos de idade, na época em que lia a coleção “Para gostar de ler” (Ed. Ática), que trazia contos, crônicas e poesia de grandes escritores. Ainda tem em sua estante a coleção quase inteirinha.
Ainda na adolescência se encantou por Augusto dos Anjos, depois Drummond, Bandeira e tantos outros.

Embora tenha começado a escrever poesias aos 13 anos, só 20 anos depois lançou seu primeiro livro de poemas: Reflexões Poéticas. “Depois que escrevo passo anos lendo e refletindo se o que escrevi vale a pena ser publicado. Se sim, então publico”, diz. Foi assim com os livros Reflexões poéticas (1988), Humanidade Incendiada (2003), Destino (2007), O Trem de Maria (2009), As Histórias de João Pescador (2010),  Histórias de Desamor (2012), História de Pássaro (2017) e Contos Estranhos (2017)
Por sua obra, já ganhou mais de uma dezena de prêmios, dos quais destaco os concedidos pela Associação Nacional de Escritores, União Brasileira de Escritores e UFPa.

“Nós que estamos aqui,
vamos indo,
vamos logo,
vamos todos,
vamos juntos…
Ruim andar sozinho
feito cão sem dono.”

Mauro Guilherme participa de várias antologias literárias.  No Amapá organizou as coletâneas “Poetas na Linha Imaginária”, “Poesia na Boca do Rio”, “Quinze Dedos de Prosa”, entre outras.

Sentimento de Rio

Olha o rio fugindo,
Sempre indo,
Nunca voltando.
Olha o rio seguindo,
Sempre partindo,
Nunca ficando.
Às vezes até parece,
Que ele passa chorando.