Livro de bolso completa 60 anos

Por Fernando Eichenberg, no Observatório da Imprensa

“Não se pode viver sem um livro em seu bolso”. Por meio deste slogan o editor francês Henri Filipacchi lançou, em 1953, a coleção Livre de Poche, da editora Hachette. Inspiradora de iniciativas similares por parte de seus concorrentes, ela fez do livro de bolso um objeto cotidiano na paisagem cultural francesa e um inseparável companheiro dos leitores. Completando 60 anos na França, o formato mantém prestígio e popularidade, embora comece a sentir efeitos de mudanças no comportamento editorial e o avanço, mesmo que ainda incipiente e bastante lento, dos e-books, uma potencial ameaça futura.

O livro de bolso, que teve entre seus principais pioneiros a inglesa Penguin Books (1936) e a americana Simon&Schuster (1939), é “o fenômento mais marcante da história da edição contemporânea”, diz Bertrand Legendre, do departamento de Políticas Editoriais do Laboratório de Ciências da Informação e da Comunicação (LabSic), da Universidade de Paris 13. (Leia mais)

Senador Capiberibe lança livro hoje em Macapá

SExatamente hoje quando completa 43 anos que ele e sua mulher foram presos pela ditadura, o senador João Capiberibe lança, às 19h no Museu Sacaca, em Macapá, seu livro “Florestas do Meu Exílio” (Editora Terceiro Nome, 367 páginas).
“Florestas do meu exílio” é um livro envolvente e emocionante. Daquele tipo que quando você pega não quer mais largar. É uma história de amor, de aventuras, de sofrimento, de luta por justiça social e de muita determinação do casal João-Janete Capiberibe, contada numa linguagem que envolve completamente o leitor. Aliás, não é uma leitura. É uma conversa. Nas mais de cem páginas do diálogo entre Janete, Capi e dom José, em Cochabamba, o leitor se sente participando deste diálogo, como se estivesse sentado à mesa com os três na humilde casa de dom José, morada da solidariedade.

Em todo o livro o texto flui de tal modo que nos leva a ver, sentir e viver paisagens, cheiros, dores, indignação, sustos e a rir com as peripécias de alguns personagens, como o presidiário Chico Pedreira, que fez uma réplica do Titanic e enchia o convés de cachaça. Ou o próprio Capi, metido num surrado terno branco –  maior que ele –  cantando desafinado numa praça na Bolívia para recolher algumas moedas para comprar leite para a Artionka. E a Janete morrendo de vergonha dessa performance do marido. Conto essas duas passagens (e são tantas) só para mostrar que não se trata de um livro amargo, de uma leitura maçante.
Sobre “Florestas do meu exílio”, Ana Miranda assim se expressou: “Além de apresentar ao leitor os momentos tensos e os instantes alegres da jornada que se inicia na prisão e termina no exílio, o livro traça um rico panorama da vida política do continente e das lutas contra governos ditatoriais em todo o mundo”.

Saudades do velho Hem

“Somos todos aprendizes de uma arte na qual ninguém é mestre”
(Ernest Hemingway)


Já contei pra vocês que sou apaixonada por Hemingway.
Pois bem, nesta tarde quieta e de céu cinzento em Macapá, sinto saudade dele.
Folheio um velho bloco de anotações que me diz que em 28 de outubro de 1954 Ernest Hemingway recebia o Nobel da Literatura por seu livro “O Velho e o Mar”, publicado dois anos antes.

Olho o “Velho e o Mar”, aqui diante de mim, na estante onde estão também “Por quem os sinos dobram”, “O sol também se levanta”, “Adeus às armas” (este foi o primeiro livro dele que li e daí começou minha paixão), “Paris é uma festa”, entre outros. Já li toda sua obra e tenho quase todos seus livros. Gosto do seu estilo, com frases curtas, parágrafos breves que nos dão a sensação de fotografias em movimento.
Fixo o olhar numa foto dele que guardo com todo carinho. Hem, sentado à beira de um rio, faz anotações à lápis num moleskine (eu também adoro fazer anotações em moleskine), e pergunto-lhe:

Meu velho e querido Hem, há quanto tempo não conversamos? Mais de um ano talvez. Que tal voltarmos a conversar hoje?

Numa outra foto,  Hem abre um  sorriso para mim.

Então peço-lhe que me fale, mais uma vez, sobre a relação do homem com o mar. Me encante, de novo, com a história daquele velho pescador, corajoso como ele só, que passou meses no mar, com seus sonhos e pensamentos, lutando pela sobrevivência, falando sozinho, e sem perder, em momento algum a confiança na vida.
Ernest Hemingway, como sempre, aceita meu convite. Então, retiro da estante, com o cuidado de quem colhe uma rosa orvalhada , o livro O Velho e o Mar, obra na qual ele revela total amadurecimento literário e nos transmite uma bela mensagem de confiança na grandeza interior do ser humano.
Excelente para começar o novo ano com fé no que virá.

E você, querido leitor, qual livro está lendo nesta primeira semana de 2013?