Camarim de prisioneiro

Preso em 1971 no Doi-Codi e barbaramente torturado,  Alex Polari sobreviveu, inclusive para denunciar ao próprio Tribunal Militar as torturas que viu e que sofreu e o assassinato do filho de Zuzu Angel, que ele retrata no poema “Canção para Paulo”.
Enquanto esteve na prisão (1971-1980) escreveu dois livros: Inventário de Cicatrizes e Camarim de Prisioneiro. Deles, pincei estes dois poemas:

Colônia Penal Brazilliensis
Desligaram as máquinas
o que restou, jogaram no fosso
dos ossos fizeram pentes
dos corpos piruetas
dos cabelos perucas
dos pentelhos palitos
da pele roupas
e da voz agoniada e rouca
eles foram costurando cada grito e cada boca
um por um deles foram juntando
eco por eco de desespero
caco por caco de amargura
e assim eles inventaram esse silêncio.

Canção para Paulo
Eles costuraram tua boca
com o silêncio
e trespassaram teu corpo
com uma corrente.
Eles te arrastaram em um carro
e te encheram de gases,
eles cobriram teus gritos
com chacotas.
Um vento gelado soprava lá fora
e os gemidos tinham a cadência
dos passos dos sentinelas no pátio.
Nele, os sentimentos não tinham eco
nele, as baionetas eram de aço
nele, os sentimentos e as baionetas
se calaram.
Um sentido totalmente diferente de existir
se descobre ali,
naquela sala.
Um sentido totalmente diferente de morrer
se morre ali,
naquela vala.
Eles queimaram nossa carne com os fios
e ligaram nosso destino à mesma eletricidade.
Igualmente vimos nossos rostos invertidos
e eu testemunhei quando levaram teu corpo
envolto em um tapete.
Então houve o percurso sem volta
houve a chuva que não molhou
a noite que não era escura
o tempo que não era tempo
o amor que não era mais amor
a coisa que não era mais coisa nenhuma.
Entregue a perplexidades como estas,
meus cabelos foram se embranquecendo
e os dias foram se passando.

PF desarticula célula de facção criminosa no Amapá

A Polícia Federal deflagrou nesta manhã (12/9) a Operação Distúrbio*, para desarticular célula de facção criminosa especializada em tráfico internacional de drogas e de armas, assaltos a estabelecimentos comerciais, além de homicídios, no Amapá. O grupo investigado é parte de uma organização com atuação em todo território nacional.

Cerca de 50 policiais federais cumprem 12 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão, em Macapá e Tartarugalzinho/AP. Alguns mandados estão sendo cumpridos no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN), de onde as lideranças regionais planejavam e controlavam a execução dos crimes. Uma das medidas concedidas pela Justiça Estadual foi a transferência da principal liderança regional da facção para um presídio federal.

A investigação iniciou em abril/2017 e identificou estreitas ligações dos alvos com líderes da facção em outros estados, cujo principal interlocutor encontra-se preso em São Paulo. O principal investigado, autodenominado “Geral do Estado do Amapá”, está preso, cumprindo pena de 25 anos e 6 meses de reclusão pelo crime de tráfico de entorpecentes, além de ter sido indiciado em 2015 por compor e liderar organização criminosa.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, roubo, corrupção de menores, favorecimento pessoal, tentativa de homicídio, porte de arma de fogo e associação para o tráfico. Se condenados, as penas somadas podem chegar a 56 anos de reclusão.

(Fonte: portal da PF)

Bom dia!

O amanhecer em Macapá registrado pelo mago da fotografia Floriano Lima.
Continua a exposição de Floriano Lima no Sesc Centro (Rua Tiradentes c/ Mendonça Junior). São verdadeiras obras de arte retratando paisagens e cotidiano amapaense.
A exposição – que é sucesso de público – vai até o dia 20.