Escola do Legislativo e posse da deputada Raimunda Beirão

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Moisés Souza (PSC) anunciou  sexta-feira (04) a abertura de cursos de capacitação para pessoas do povo e não apenas para servidores, parlamentares ou futuros legisladores. Foi durante a inauguração da primeira de uma série de subsedes da Escola do Legislativo, na zona sul de Macapá. A próxima a ser inaugurada será na zona norte, mas o projeto é levar a estrutura também para municípios do interior do estado.

O evento foi bastante concorrido, especialmente com a presença de populares dos bairros do entorno do novo prédio da Escola do Legislativo, que fica localizada na esquina da Avenida Timbiras com a Rua Hildemar Maia, no bairro do Buritizal. “Fico feliz em ver as ruas do entorno do prédio tomadas por pessoas do povo, isso nos dá a certeza de estarmos no caminho certo em descentralizar as ações do Legislativo e estar mais perto do povo”, disse em seu discurso o presidente da ALAP.

Ele também falou aos jornalistas a respeito dos próximos investimentos da Escola do Legislativo, que é dirigida pelo ex-senador da República João Bosco Papaléo Paes (PSDB). Nos próximos dias será inaugurada a filial da zona norte de Macapá e ainda neste primeiro semestre a Escola do legislativo chegará ao município de Santana. “Mas no segundo semestre nós vamos inaugurar as filiais de Oiapoque e de Laranjal do Jari”, disse Souza.

Posse de Raimunda Beirão
Ainda na sexta-feira  aconteceu a posse de Raimunda Beirão (PSDB) como deputada estadual. Ela substitui o deputado Dalto Martins (PMDB), falecido em acidente aéreo no mês passado, uma condição que a suplente disse não ser confortável. “Eu preferia é claro voltar a esta casa em outras circunstâncias, pois o Parlamento perdeu um grande deputado estadual. Mas foi a vontade de Deus ”, disse a deputada.

Raimunda Beirão foi saudada no evento pelo deputado Michel JK (PSDB), que buscou evidenciar as virtudes da colega como mulher, mãe e também, uma expressiva liderança política do chamado Vale do Jari. “Além disso, a deputada Raimunda Beirão é tucana, como eu, então terei a honra de dividir com ela a representatividade do PSDB nesta Casa, disposto a ajudá-la em seus projetos e da mesma forma esperando contar com o seu apoio para as minhas proposições”, disse JK.

Raimunda Beirão também teve a oportunidade de pronunciar-se na cerimônia, ocasião em que falou das dificuldades de sua região e quanto está disposta em recuperar o tempo perdido desde que ficou sem mandato. “Saber servir é muito mais uma tarefa de humildade do que qualquer outra coisa. Tenho uma vontade imensa de fazer o melhor pelo povo do Jari e de todo o estado do Amapá”, concluiu.

(Texto: Departamento de Comunicação da Assembléia Legislativa)

Ministério Público x Assembléia Legislativa

MP ingressa com Ação Civil Pública contra Assembleia Legislativa
Do site do MPE

O Ministério Público Estadual ingressou com Ação Civil Pública, na modalidade de obrigação de fazer, contra a Assembleia Legislativa do Amapá, para que sejam divulgados, em tempo real, o detalhamento dos atos administrativos e das despesas pagas com o dinheiro público, em seu Portal da Transparência, no site oficial da AL.

Segundo o promotor de Justiça Afonso Guimarães, o Portal da Transparência deve conter informações detalhadas e em tempo real sobre todos os atos administrativos de interesse geral, como folha de pagamento de pessoal, incluindo a dos deputados; os cargos comissionados e de confiança, além dos temporários e efetivos.

A Ação de Execução requer, ainda, que sejam expostos no Portal, os gastos individualizados por cada deputado, como as verbas indenizatórias do exercício parlamentar e verba de gabinete; bem como todos aqueles previstos na Lei Complementar de Responsabilidade Fiscal (Lei nº 101/2000).

“Consultando o Portal da Transparência da Assembleia Legislativa, vê-se que as informações nela constantes não atendem nem ao comando da sentença, nem as determinações legais. Não há informações, por exemplo, dos gastos feitos com a verba indenizatória na maioria dos meses do ano de 2011, e mesmo as poucas informações contidas no site, não atendem às exigências da lei, dando apenas a aparência de legalidade”, frisa Afonso Guimarães.

A Ação Civil requer também, os detalhamentos e a organização das publicações referentes à Licitação, “uma vez que as informações contidas no site não seguem a ordem cronológica e numérica sequencial dos procedimentos como deveria ser, assim como é necessário dispor os pregões presenciais, as atas de registro de preços e as dispensas de licitações”, finaliza o promotor.

O Ministério Público requer, no prazo de cinco dias, a correta publicação de todos os atos administrativos e gastos realizados pela Assembleia Legislativa no Portal da Transparência, em tempo real ou, no máximo, no dia seguinte, sob pena de multa diária imposta contra o presidente da AL/AP e o impedimento de receber repasses voluntários de verbas.

“O compadrio e a caixa preta” – Com a palavra o desembargador Luiz Carlos

Sobre a matéria “O compadrio e a caixa preta”, publicada na revista Carta Capital e reproduzida aqui no blog, recebi do desembargador Luiz Carlos Gomes dos Santos correspondência onde ele explica que suspendeu  a decisão da juiza por que a  Assembleia Legislativa  é pessoa Jurídica e por isso não pode ser objeto de uma ação civil pública.

Eis a explicação e a decisão:

“Caríssima Alcinea.

No pertinente a noticia publicada em blog, republicando matéria jornalística da revista Carta Capital que fala sobre ” a via crucis do promotor Afonso Guimaraes para ter acesso a dados sobre documentos  da Assembelia Legislativa, e que ajuizara uma Ação Civil Publica contra a Assembleia Legislativa, no primeiro grau, na qual obteve liminar  a citada Assembleria, agravou da decisão e na condição de relator do Agravo, no Tribunal, por decisão monocrática, a suspendi, destaco que é verdade. Realmente supendi a decisão da juiza e o fiz sob o seguinte fundamento. A Assembleia Legislativa  é pessoa Jurídica e por isso não pode ser objeto de uma ação civil pública. O reu obrigatoriamente deveria ser o seu presidente ou outro qualquer agente público, responsável pelo ato improbo. No meu modesto entendimento houve equívoco do ilustre promotor, o que não desmerece seu  trabalho, até porque aquele era o entendimento dele. Assim em fundametada decisão, a qual faço acompanhar do presente esclarecimento. suspendi a decisão. Destaco ainda que de minha decisão cabia Agravo Regimental, aliás recurso que o nobre promotor utilizou, porém o Tribunal manteve a minha decisão, improvendo o Agravo Regimental interposto. Informo ainda que nada impede que o nobre promotor, ajuize outra ação, se assim entender, porém deve fazê-lo contra a(s)  pessoa(s) certa(s). E , destaco que se o fizer, nenhum juiz pode negar o pleito  pois em se tratando de coisa pública, a tranparência é obrigatória. Em síntese, destaco mais uma vez qua não opuz qualquer obstáculo ao trabalho do Ministério Público. Não lhe neguei documento pois sequer examinei o assunto, face a ilegitimidade da Assembleia. De outra sorte o tema apresenta  característica de tecnicismo jurídico o que dificulta o melhor entendimento. Mas poderia resumir dizendo. Somente a pessoa fisíca especialmente do agente público, pode ser objeto de Ação Civil Pública por improbidade, pois somente ele pode  praticar atos, jamais a entidade que representa. Pelo menos esse é o meu entedimento e o faço com base na jurisprudencia  citada na decisão. Abaixo segue a minha decisão, a qual é pública e se encontra no Tucujuris. Um abraço do Luiz Carlos.

AGRAVO Nº 0000102-47.2012.8.03.0000

 Vistos, etc.

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAPÁ, por seu órgão de representação judicial, interpôs AGRAVO DE INSTRUMENTO em face de decisão proferida pelo Juízo da 2ª Vara Cível e de Fazenda Pública da Comarca de Macapá, o qual, nos autos da Ação Cautelar de Exibição de Documentos, ajuizada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ, determinou que o Presidente daquela casa legislativa exibisse, no prazo de 05 (cinco) dias, o conteúdo integral das folhas de pagamento de seu pessoal, referentes aos meses de dezembro de 2010 e julho de 2011, com nomes dos servidores e seus respectivos cargos de modo circunstanciado, sob pena de multa diária de R$ 10.000,00 (dez mil reais).        

Em suas razões, o agravante argüiu sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da lide, eis que não detém personalidade jurídica, apenas judiciária, argumentando, ainda, que sendo a demanda de origem uma cautelar preparatória para o ajuizamento de ação de improbidade administrativa, a qual não poderá ser em desfavor da Assembléia, não há como integrar a pretensão ministerial.

Ressaltando o princípio do devido processo legal e a necessidade de proteger a intimidade de seus servidores, requereu a tutela antecipada, com o fito de que seja reconhecida a ilegitimidade argüida ou, alternativamente, a concessão do efeito suspensivo ao presente recurso. No mérito, pugnou pelo provimento do agravo.

Instruiu a inicial com cópia das peças indispensáveis ao conhecimento do recurso, bem como de outras que entendeu pertinente.

Brevemente relatado, passo a examinar e, em seguida, decidir.

Analisando o caso dos autos, adianto que o pleito recursal merece ser acolhido, em função da patente ilegitimidade da Assembléia Legislativa para figurar no pólo passivo da demanda de origem.

É que, consoante reiterada jurisprudência desta Corte e do Superior Tribunal de Justiça, a Assembléia Legislativa, tal como ocorre com outras casas legislativas, por ser ente público não dotado de personalidade jurídica, não tem capacidade para ser parte e, por conseguinte, de figurar em demandas de natureza comum.

A mencionada Casa detém personalidade judiciária, o que lhe confere capacidade para ir a juízo, tão somente, no que tange à defesa de suas prerrogativas institucionais. Entretanto, tal possibilidade restringe-se ao pólo ativo, mormente por meio de mandado de segurança, eis que tem por finalidade assegurar meio de defesa em face de atos abusivos de outros poderes do Estado. Vejamos os inúmeros precedentes do STJ:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA. PÓLO PASSIVO DE AÇÃO DE COBRANÇA. ILEGITIMIDADE. PERSONALIDADE JUDICIÁRIA. PRECEDENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DESPROVIDO.83I – O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência uniforme no sentido de que as assembléias legislativas possuem personalidade judiciária, e não jurídica, o que as permite estar em juízo tão somente na defesa de seus interesses institucionais. Precedentes.II – Nos termos da Súmula 83 desta Corte, “Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida.”.III – Agravo interno desprovido. ( STJ – 590873 AP 2004/0031938-4, Relator: Ministro GILSON DIPP, Data de Julgamento: 28/09/2004, T5 – QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJ 08/11/2004 p. 275)

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO. CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL. ILEGITIMIDADE AD CAUSAM. PERSONALIDADE JUDICIÁRIA. RECURSO ESPECIAL NAO CONHECIDO. 1. A Câmara Legislativa do Distrito Federal é órgão da Administração Direta do Distrito Federal, não possuindo, portanto, personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária. Significa que pode estar em juízo apenas para a defesa de suas prerrogativas institucionais, concernentes à sua organização e funcionamento. (…) 3. Recurso especial não conhecido. (REsp 608.798/DF, 5ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 01.03.2007, DJ de 19.03.2007 p. 381).

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. REENQUADRAMENTO. CONSEQÜÊNCIAS FINANCEIRAS. EXECUÇAO. SENTENÇA PELO PROVIMENTO DO PLEITO. PEDIDO EXPRESSO NA INICIAL. CORREÇAO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS. EXCESSO DE EXECUÇAO INEXISTENTE. PEDIDO IMPLÍCITO. EFEITOS FINANCEIROS. TERMO INICIAL. AJUIZAMENTO DO WRIT. CÂMARA MUNICIPAL. PERSONALIDADE JUDICIÁRIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. (…) 4. A Câmara Municipal possui apenas personalidade judiciária para defender seus interesse perante o Poder Judiciário, e não personalidade jurídica capaz de figurar no pólo passivo da denominada ” execução contra fazenda pública “. Precedentes. 5. Recurso especial conhecido e provido. ( REsp 591.220/RJ, 5ª Turma, Rel. Ministra Laurita Vaz, julgado em 14.08.2007, DJ de 24.09.2007 p. 355).

Ademais, a medida cautelar de exibição de documento, quando preparatória, não é cabível para obrigar a terceiro, a menos que ele guarde a coisa em nome de outrem, ou seja, só pode ser ajuizada contra quem for assumir posição de parte na ação principal, in casu, na de improbidade administrativa, o agente público.

Nesse sentido, Theotonio Negrão, em suas observações acerca do art. 844 do CPC (medida cautelar preparatória de exibição), registra que “é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da ação preparatória de exibição de documento pessoa contra quem a ação principal não será movida (RT 757/204). (Código de Processo Civil e legislação processual civil em vigor, 38ª ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2006, p. 901)”.

Daí, tendo em vista que a Assembléia Legislativa não possui personalidade jurídica e que jamais comporá a lide principal, não há como prosperar a pretensão ministerial em face do ente legislativo.

Ante ao exposto, com fulcro no art. 557, §1º-A do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo, para cassar a decisão impugnada.

Comunique-se ao juízo da causa.
Intimem-se e cumpra-se.”

Extra! Extra! Extra!

Procuradoria da República oferta denúncia contra conselheiros do TCE-AP

Em desdobramento da “Operação Mãos Limpas” deflagrada em setembro de 2010, a  Procuradoria da República acaba de pedir o afastamento e ofertar denúncia contra  conselheiros   do Tribunal de Contas do Amapá, que estavam em atividade durante  as investigações que culminaram com a  Operação Mãos Limpas.
São eles: Manoel Antônio Dias, Amiraldo Favacho, Raquel Capiberibe, Regildo Salomão, Fernando Pinto Garcia e Margarete Salomão.

O conselheiro Ricardo Soares será ouvido amanhã no STJ. O ex-presidente Júlio Miranda – que foi preso na Operação – foi denunciado anteriormente e ficou afastado por mais de um ano. Já retornou as atividades no TCE e está aguardando aposentadoria.

No dia 31 de março este blog antecipou que isto iria acontecer. Confira aqui

STJ afasta cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Amapá

Atualização às 15h41 – O Ministro Noronha acaba de deferir o pedido de afastamento dos conselheiros e de cinco funcionários do Tribunal de Contas do Amapá

Atualização às 17h – O Ministro  Noronha também determinou o afastamento de Júlio Miranda e Ricardo Soares

Atualização às 19h30 – O conselheiro Ricardo Soares não foi afastado. Os afastados são o presidente Regildo Salomão, o corregedor Manoel Antônio Dias, José Júlio Miranda Coelho, Margarete Salomão  e Amiraldo da Silva Favacho. De acordo com a assessoria do STJ  “o  relator, ministro João Otávio de Noronha, considerou que o caso descoberto por uma grande operação da Polícia Federal é extremamente grave, envolve quantias expressivas e revela uma peculiar situação de desmandos no Amapá. Ele deferiu os afastamentos remunerados até a análise da denúncia e proibiu a entrada dos acusados no Tribunal de Contas para que eles não comprometam a instrução processual.

E anotem pra conferir: Nos próximos dias numa outra instituição três serão denunciados e afastados.

Tá na Carta Capital

O compadrio e a caixa-preta
Matheus Pichonelli

Há quase um ano, o promotor da Defesa do Patrimônio Cultural e Público do Amapá, Afonso Gomes Guimarães, deu início a uma verdadeira via sacra para investigar possíveis casos de nepotismo nos órgãos públicos do estado. Desde agosto de 2011 ele tenta obter informações sobre a folha de pagamento dos funcionários da Assembleia Legislativa. Em vão. Em todas as tentativas, esbarrou na falta de vontade dos deputados amapaenses e do próprio Judiciário local.

Primeiro, solicitou os documentos ao presidente da Assembleia, Moisés Reategui de Souza (PSC), que se negou a repassar os dados.

Em seguida, ingressou com ações na Justiça para acessar os dados dos funcionários em duas frentes: a própria Assembleia e os bancos que realizam os pagamentos.

Em ambos os casos, obteve decisões favoráveis em primeira instância. Diante dos recursos apresentados, o Tribunal de Justiça barrou, no entanto, a empreitada.

Os dados da Assembleia continuam, assim, numa caixa-preta inacessível – e joga para o centro das suspeitas os próprios desembargadores. Dados obtidos por CartaCapital revelam que parentes de cinco dos nove desembargadores da corte trabalham no Legislativo amapaense.

A prática pode indicar um exemplo específico de nepotismo – quando autoridades usam a influência do cargo para empregar parentes como assessores de órgãos públicos de outros Poderes. Uma prática comum ainda no País, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e que contamina decisões viciadas dos tribunais.

O exemplo do Amapá coloca em xeque as formas de controle sobre o nepotismo, prática vedada pelo Supremo Tribunal Federal desde agosto de 2008, quando foi editada a súmula vinculante número 13. A medida coibiu a contratação de parentes de autoridades e de funcionários para cargos de confiança, de comissão e função gratificada no serviço público.

O problema é, quase quatro anos depois, as próprias autoridades ainda se negam a informar quem são, o que fazem e quanto ganham seus funcionários.

A via sacra da Promotoria para ter acesso aos dados no Amapá é simbólica. A ação civil pública escrita pelo promotor Afonso Guimarães com pedido para a Assembleia disponibilizar dados sobre seus servidores, é de outubro de 2011. No documento, ele citava o site oficial da Casa como uma página que não “obedece aos dispositivos legais relativos à transparência administrativa e em quase nada contribui para a divulgação dos atos administrativos e para o favorecimento do controle social”.

O pedido foi atendido pela juíza Alaíde Maria de Paula, da 4ª Vara Cível e da Fazenda Pública de Macapá. Por ordem da magistrada, o presidente da Assembleia tinha cinco dias para apresentar as folhas de pagamento de seu pessoal referentes ao período de dezembro de 2010 a julho de 2011. A Assembleia recorreu ao Tribunal de Justiça, que cassou a decisão em 23 de janeiro deste ano por ordem do desembargador Luiz Carlos – pai do deputado federal Luiz Carlos Filho (PSDB-AP).

Em outra frente, o promotor tentou obter as informações por meio dos bancos com os quais os servidores mantêm contas. Os pedidos das ações cautelares foram atendidos pela mesma juíza. Dias depois, o banco Santander conseguiu uma liminar no tribunal, em outubro de 2011, com o argumento de que as informações eram acobertadas pela proteção à intimidade e sua divulgação dependeria da existência de “interesse público concreto”.

Diante do impasse, o promotor Afonso Gomes Guimarães disse ter protocolado um recurso no Superior Tribunal de Justiça contra a decisão do TJ.

O relator do pedido no TJ foi o desembargador Dôglas Evangelista – que, segundo documentos encaminhados à reportagem, é marido e ex-cunhado de funcionários da Assembleia.

Evangelista é um dos desembargadores do Amapá citados em inquérito da Polícia Federal após a Operação Mãos Limpas – que em 2010 prendeu 18 pessoas, entre elas o então governador Pedro Paulo Dias e secretários estaduais. Os magistrados eram suspeitos de manter contatos e proferir decisões favoráveis a integrantes de uma suposta quadrilha suspeita de desviar até 300 milhões de reais públicos.

Procurado, o desembargador não respondeu aos questionamentos da reportagem encaminhados via assessoria de imprensa. A Assembleia do Amapá também não respondeu desde quando e em quais condições os parentes do desembargador trabalham na Casa (a lei não impede que parentes de autoridades trabalhem em órgãos públicos desde que sejam concursados).

O caso de Evangelista não é único. Segundo os documentos, a Assembleia emprega ainda as cunhadas dos desembargadores Mário Gurtyev e Carmo Antônio, além de Edinardo Tavares de Souza, diretor administrativo da Assembleia, e filho do desembargador Edinardo Souza – também citado no inquérito da Operação Mãos Limpas.

A lista à qual a reportagem teve acesso mostra ainda que o filho e a mulher de outro desembargador, Agostino Silvério, também estão na folha de pagamento do Legislativo. A mulher, identificada como Jorlene Lima de Jesus Silverio, recebeu pagamentos de 6.410 reais em 15 de julho do ano passado. Procurado, o desembargador também não esclareceu a situação.

Para o advogado Jorge Hélio Chaves de Oliveira, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o caso do Amapá é apenas “uma caixa de ressonância, um eco do que acontece no Brasil”. Segundo ele, dois problemas perpetuam as práticas que deveriam ser combatidas pela súmula antinepotismo: a falta de transparência dos portais oficiais, como sites dos tribunais de Justiça, e o “verdadeiro compadrio feudal de famílias que ainda exercem verdadeiras ditaduras patrimonialistas dentro dos tribunais”. (Leia mais)

Artigo

Marcha contra a corrupção ou contra os partidos?
*Yan Fernando de França

O Dia do Basta à Corrupção é um movimento que aconteceu em várias partes do país no sentido de organizar um movimento de combate à corrupção.
No dia 21 de abril de 2012, vários cidadãos e cidadãs foram às principais ruas, avenidas, praças e outros lugares públicos, marchando e levantando a bandeira da ética na política, em sua maioria eram estudantes e jovens.
De fato, é muito difícil organizar um movimento com esse caráter que consiga dar conta de criar um fato político que garanta a atenção da sociedade. Será que os movimentos que aconteceram durante o dia 21 de abril deram conta de responder a essa falta de movimentos sociais que conseguem garantir um fato político? Tenho minhas dúvidas.

Existem duas características que podem ser atribuídas a um movimento. Primeiro: o movimento que crie um fato que coloque em xeque a situação política, que garanta a atenção do restante da sociedade, que dialogue com um povo que em sua essência é plural, que aglutine cada vez mais cidadãos e cidadãs e que tem vocação para propor uma nova política. Segundo: o movimento pode simplesmente dizer que está indignado, e daí pode resultar em nada (caso que aconteceu com o movimento no Amapá).

É consenso que um movimento que tem um caráter de combate à corrupção e que reivindica a ética na política tem em sua essência os princípios da democracia e da tolerância: participação de todos e de todas, combate à intransigência e à arrogância e que aglutine setores que, mesmo divergentes, constroem em torno de um interesse que é coletivo.
Pois bem, a marcha é contra a corrupção. Deduz-se daí que todos que são contra a corrupção na política podem participar do ato. Organizações políticas, coletivos autônomos, grupos de cultura, jornais alternativos e outros também podem. Mas porque quem é de partido político não pode? Onde está a democracia e a tolerância? Como é que esses movimentos vão dialogar com as massas que são plurais?

No ato que aconteceu na tarde do dia 21 no Amapá, as pessoas que estavam vestidas com camisas de alusão a um partido político foram convidadas a se retirarem do ato. Com isso, onde está o dispositivo constitucional que prega o “pluralismo político”, expresso no artigo 1º da Carta Magna de 1988? Todos podem se indignar com a corrupção na política, inclusive os militantes partidários. Estes têm a obrigação de se comprometerem com um movimento em prol de uma política limpa, afinal os partidos políticos são peças importantes nas discussões sobre reforma política.

Os movimentos sociais devem ser peças importantes no processo de reconfiguração da política. Se for para dizer apenas que está indignado, para nada servirá e a realidade continuará a mesma. Experiências políticas no decorrer da história dizem isso.

*Yan Fernando de França é estudante de Relações Internacionais/UNIFAP, militante do movimento estudantil e dirigente estadual do PSOL/AP

Dalto Martins por Dalto Martins

” Sou médico, biólogo, tenente da Polícia Militar de São Paulo, piloto de avião e deputado estadual eleito para o terceiro mandato pelo PMDB-AP. Sou casado com a médica Maria Teresa e tenho três filhos. Nasci em Breves no Pará, meus pais não tiveram a chance de estudar, mas me deram a oportunidade de me tornar o que sou hoje. Tenho orgulho e fico feliz primeiramente por ser médico e poder ajudar uma pessoa de cada vez, e segundo por ser político e ter a possibilidade de ajudar várias pessoas ao mesmo tempo.”

(Dalto Martins, em seu blog www.daltomartins.com)

Dalto Martins – amante da poesia

Dalto Martins (de camisa laranja) no Movimento Poesia na Boca da Noite,
em fevereiro do ano passado

Casado com a médica e poetisa Maria Tereza Renó, Dalto não escrevia poesias (ou se escrevia não mostrava) mas tinha paixão por ela. Gostava de ler poemas, ouvir declamações e às vezes até ensaiava recitar versos. Apoiava e valorizava a literatura amapaense. Patrocinou a publicação de alguns livros de escritores amapaenses.
Chegou a participar algumas vezes do Movimento Poesia na Boca da Noite.

Dalto Martins – carnavalesco

Ele era amante do carnaval. Ajudava financeiramente várias escolas de samba e blocos. Freqüentava as quadras das escolas, participava de ensaios, pagava sempre uma cervejinha gelada e um churrasquinho para os ritmistas.
Gostava mesmo da folia, curtia pra valer o Reinado de Momo.

Tinha um sonho: sair na bateria do Piratão. E realizou este sonho no último carnaval. Saiu na ala de tamborins da bateria e logo recebeu dos companheiros da escola o título de “tamborim de ouro”.

Rostan Martins, Coló , Alcinéa Cavalcante e Dalto Martins assistindo ensaio técnico das escolas de samba no Sambódromo em 2010

 

Dalto Martins morre em acidente aéreo

O deputado estadual Dalto Martins (PMDB) morreu  na manhã de hoje em Macapá quando seu avião, um monomotor Cesna 206, prefixo PR-CRR caiu poucos minutos após decolar de Macapá com destino a Manaus. Faria escala em Santarém (PA) para reabastecer.
A aeronave era pilotada pelo próprio deputado que era um piloto bastante experiente.
De acordo com o comandante Carlos Lima, que cuidava da aeronave do deputado, o avião era novo, “moderníssimo”, e não apresentava nenhum problema. Ele acompanhou ontem à tarde todo o trabalho dos mecânicos de vistoria e demais procedimentos que antecedem uma viagem.
Dalto Martins decolou do aeroporto de Macapá às 5h48, quatro minutos após a decolagem informou à torre que estava com problema, mas não chegou a dizer qual e perdeu a comunicação. No momento do acidente chovia muito em Macapá e o avião caiu em local de difícil acesso, de mata fechada, próximo ao bairro Marabaixo.
Pessoas que moram perto do local contam que ouviram o barulho do avião, da explosão e logo em seguida o clarão.Foram essas pessoas que entraram em contato com o Corpo de Bombeiros e com a Polícia para avisar.

Dalto Martins estava no terceiro mandato e presidia a CPI da Saúde. De família tradicional de Macapá, Dalto Martins formou-se em Medicina em São Paulo, onde também fez o curso de aviação. E foi lá que conheceu a oftalmologista Maria Tereza Renó com quem casou.

Polêmico, mas de muitos amigos, Dalto era um grande apoiador da cultura, do esporte e do carnaval. Era, inclusive, ritmista da bateria de Piratas da Bastucada. Antenado, participava com freqüência das redes sociais, tinha perfil no twitter (@daltomartins) e no facebook e um blog (www.daltomartins.com).
Dalto Martins tinha era médico, biólogo,  legista da Politec, tenente  da reserva da Polícia Militar de São Paulo, piloto de avião e deputado estadual por três mandatos e ex-vice presidente da Assembleia Legislativa.  Ele deixa esposa e três filhos.

Por causa da morte do deputado Dalto Martins o PSOL cancelou a inauguração da sua nova sede que seria hoje à noite e o governo do estado adiou a reinauguração da biblioteca pública que estava marcada para às 17h desta sexta-feira. O governador Camilo Capiberibe e o prefeito Roberto Góes decretaram luto oficial de três dias.

No acidente morreu tambem a empresaria Rachel Loyola.

Dalto Martins – Notas de Pesar

Do governador Camilo Capiberibe

É com pesar que o Governo do Estado do Amapá (GEA) comunica o falecimento do médico legista pertencente ao quadro efetivo da Polícia Técnico-Científica (Politec) e deputado estadual Dalto Martins, vítima de um acidente aéreo ocorrido na manhã desta sexta-feira, 20, quando se deslocava de Macapá (PA) para a cidade de Manaus (AM).
Dalton Martins ocupou o cargo de vice-presidente da Assembleia Legislativa do Amapá (AL/AP), no período de 2009-2010. Atualmente, o deputado presidia a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, com responsabilidade e senso político.
O governador do Estado, Camilo Capiberibe, se solidariza com familiares e amigos do parlamentar e decreta luto oficial de 03 dias.
Camilo Capiberibe
Governador do Amapá

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Da Diocese de Macapá
A Diocese de Macapá vem a público manifestar seu pesar pelo trágico acidente que vitimou o deputado Dalto Martins e a empresária Rachel Loiola.
Mesmo diante de mortes tão bruscas professamos a nossa fé na ressurreição e acreditamos na vida para além da morte. Que o Deus da vida ajude os familiares do deputado e da empresária a enfrentarem esse momento de dor e de perda.
Manifestamos em particular nossa solidariedade ao Poder Legislativo do Amapá.
Que a Páscoa de Cristo ilumine a todos nós.
Dom Pedro José Conti

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Do senador Randolfe Rodrigues

É com pesar que recebemos a notícia do falecimento do deputado estadual Dalto Martins (PMDB), vítima de trágico acidente aéreo na manhã desta sexta-feira, 20 de abril de 2012, em Macapá – AP. Amapaense, médico, desportista e pai, optou pela carreira política, cumprindo até o momento seu terceiro mandato como deputado estadual.
Dalto Martins esteve presente, nas últimas décadas, durante os principais momentos e debates da vida pública no estado. Nesse momento de dor, nos associamos ao povo do Amapá, em espírito de solidariedade aos familiares, amigos, assessores, eleitores e à classe médica que perdem seu ente querido.

Randolfe Rodrigues

Senador da República

…….

De Lucas Barreto
Foi com muita tristeza que recebi a notícia da partida de Dalto Martins, amigo de longa data e com quem compartilhei grandes momentos na vida política e pessoal.
Dalto sempre foi um político combativo, esportista dedicado e o médico competente que estendeu a mão para minha família por ocasião da doença de meu pai, acompanhando-o em tratamento num dos momentos mais dolorosos de nossas vidas, fato que jamais esqueceremos.
Da mesma forma, solidarizo-me com a família da jovem e dinâmica empresária, Raquel Loiola, desejando que Deus, do alto da sua bondade, conforte a sua família.
É uma grande perda para os familiares de Dalto e Raquel, para todos nós e para o Amapá, pelo que nos solidarizamos com as famílias enlutadas nesse momento de infinita dor.
Lucas Barreto

Do prefeito Roberto Góes

É com profundo pesar que o Prefeito Roberto Góes recebeu a notícia falecimento do Deputado Dalto Martins, na manhã desta sexta-feira (20). O deputado teria sido vítima de acidente aéreo quando se deslocava para a cidade de Manaus.
Roberto Góes solidariza-se com a dor dos familiares e de todos os deputados que conviveram politicamente com Dalto Martins, homem de posições firmes e trajetória vitoriosa.
Em reconhecimento à destacada biografia do deputado, o prefeito decreta luto oficial de três dias a partir desta sexta-feira, 20.
ROBERTO GÓES

Prefeito de Macapá

Do PSOL

O Partido Socialismo e Liberdade – PSOL/AP, vem a público apresentar suas condolências aos familiares, amigos e à Assembléia Legislativa do Amapá pelo trágico falecimento do deputado estadual Dalto Martins, ocorrido na manhã desta sexta-feira (20), causado por acidente aéreo. Em virtude do ocorrido, comunica também que sua direção estadual decidiu pelo adiamento do evento de inauguração da nova sede do partido, marcado para esta noite. O PSOL compreende que o respeito ao momento de dor pelo qual passam todos que conviviam com o deputado Dalto Martins é mais relevante do que qualquer ação político partidária.
 Djalma do Espírito Santo
Presidente do PSOL-AP
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Do vereador Clécio Luís

Venho através desta nota pública, lamentar profundamente o trágico acidente ocorrido com o deputado estadual Dalto Martins (PMDB/AP), nesta sexta-feira, 20. A sociedade amapaense amanheceu consternada com o passamento do médico, parlamentar e cidadão Dalto Martins e em respeito a esse sentimento a inauguração da sede Estadual do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL marcada para ocorrer hoje, foi adiada.
Quero neste momento de dor, prestar minhas condolências e solidariedade aos seus familiares e amigos pela perda do parlamentar.
Clécio Luís
Vereador/PSOL-AP

Do Santos Futebol Clube

A diretoria do Santos Futebol Clube com profundo pesar lamenta o trágico acidente aéreo ocorrido na manhã desta sexta-feira, 20, que vitimou o deputado estadual Dalto Martins, vice-presidente do Trem Desportivo Clube.
O Peixe da Amazônia envia à família enlutada e a diretoria da Locomotiva votos de solidariedade e consternação, desejando que Deus, em sua infinita bondade, acolha o desportista e dê aos seus familiares o consolo necessário para superar imensa perda.
Luciano Marba
Presidente SFC/AP
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Do senador José Sarney
É com consternação que nos solidarizamos aos amapaenses neste momento de perda do Deputado Dalto Martins.
 O trágico acidente que retirou sua vida não apagará de nossa memória seu espírito combativo e sua atuante carreira política.
 Uma história de respeito ao próximo que se iniciou no exercício da medicina e foi ampliada em seus mandatos de deputado estadual, nos quais sempre soube se portar como um legítimo representante do povo que o elegeu.
 Á família do Deputado Dalto Martins e aos amapaenses nosso mais sincero pesar.
 José Sarney
Presidente do Senado Federal