Em reunião ontem à noite, o diretório estadual do PT decidiu que vai iniciar oficialmente conversas com o PSB visando as eleições deste ano e que se empenhará para recompor a frente de esquerda no Amapá, que foi desfeita em 2002 quando cada um lançou candidato ao governo – Cláudio Pinho (PSB) e Dalva Figueiredo (PT). Os dois perderam. O PT ainda passou para o segundo turno e o PSB decidiu apoiar Waldez Góes, do PDT. Os caciques do PSB participaram do horário eleitoral, enquanto a militância – de camisa amarela com a frase “Agora é 12” – foi às ruas combater a petista Dalva e pedir votos para Waldez Góes.
Waldez ganhou. Articulado, o PT não demorou muito para varar no governo pedetista e assumir vários cargos de relevância.
Em 2006 para não coligar com o PSB, o PT lançou um candidato laranja e trabalhou pela reeleição de Waldez Góes. O PSB teve como candidato o ex-senador João Alberto Capiberibe. Waldez foi reeleito no primeiro turno e o PT continuou fazendo parte de seu governo.
Em 2008, PT e PSB lançaram candidatos a prefeito de Macapá. O PSB foi para o segundo turno com Camilo Capiberibe, mas o PT apoiou o PDT e Roberto Góes foi eleito.
O PT no governo – Há sete anos e cinco meses fazendo parte da administração estadual, o PT inicialmente pretendia continuar no chamado grupo da harmonia – que governa o estado desde 2003.
Quando Waldez Góes renunciou ao mandato de governador em abril para disputar o Senado e o vice Pedro Paulo Dias, do PP, assumiu o governo, o PT manteve seu espaço. Mas resolveu dar uma pressão no novo governador. No dia 6 de maio, a executiva estadual reuniu e publicou uma resolução exigindo, entre outras coisas, o repasse dos recursos de todos os convênios pendentes, assinados pelo GEA com as prefeituras do Partido dos Trabalhadores e uma recomposição dos espaços que o partido ocupa no governo, com a substituição de alguns nomes. Para isto o PT deu um prazo ao governador Pedro Paulo Dias até 14 de maio, deixando claro que o silêncio de Dias seria entendido como uma recusa. Dias silenciou, ou seja, recusou. No dia 17 de maio, o PT reúne mais uma vez e publica uma resolução onde diz que “tendo em vista o silêncio do Partido Progressista-PP, até a presente data, em relação aos pleitos já apresentados, o Partido dos Trabalhadores do Estado do Amapá, a partir desta data, deixa de fazer parte do Governo Estadual” e fixa em 31 de maio o prazo para entregar os cargos que ocupa no governo. O governador Pedro Paulo Dias continuou em silêncio.
Ontem à noite, o PT chutou o balde e decidiu se empenhar para reconstruir a frente de esquerda tendo como principal parceiro o ex-aliado PSB. (PT e PSB estiveram juntos em 1990, 1994 e 1998)
Se a idéia vingar, Camilo Capiberibe será o candidato ao governo, tendo na vice um petista que será escolhido entre Luizinho, Ivanci, Dora, Zé Luís e Wagner Gomes. Os candidatos ao Senado serão João Alberto Capiberibe (PSB) e professor Marcos (PT).
A coligação PT/PSB não tem a simpatia da deputada federal Dalva Figueiredo. Embora seja a estrela de maior expressão dos petistas tucujus, Dalva perdeu espaço dentro do partido a nível local. A nível nacional continua sendo a “queridinha” de Lula por quem é chamada de Dalvinha e faz parte do diretório nacional. Por isso não é bom descartar a possibilidade de uma intervenção do nacional no PT daqui. Melhor ficar com um olho na frigideira e o outro no gato.


