Chá da tarde

Os olhos da menina
Aluízio Cunha

Olho os olhos tristes da menina
que perdeu a mãe
que foi ser estrela
que foi ser lua
areia sideral
fragmento de sol.

Olho os olhos da água
querendo sufocar as praias
alagar o mundo
inundar o globo
afogar o universo
querendo deslumbrar-se em Deus.

Olho os teus olhos
bem profundamente, menina,
e surpreendo
doce amor
amarga saudade.

Clay Luna e Max Viana no show Travessia dia 7 em Macapá

Cley Lunna vai dividir o palco mais uma vez com o guitarrista e compositor Max Viana e apresentar para o público o encontro musical Travessia no dia 7 de abril, no Sesc Araxá, a partir das 22h.

Cantor, compositor e guitarrista, Max Viana fez parte da banda de Djavan após ter trocado a faculdade de economia pelo curso de guitarra na Inglaterra, e atualmente se dedica à produções independentes.

Cley Lunna é cantor e compositor, exímio no violão, voz marcante e composições que expõem sentimentos e vidas.

Velha praça, velha praça, tenho saudade de ti

Praça da Matriz em 1935  (hoje Veiga Cabral)

No coreto se apresentavam as bandas de música da Guarda Territorial e do Mestre Oscar. Foi ouvindo estas bandas que interpretavam de forma magistral clássicos da música que muitos casais começaram a namorar e casaram, aí pertinho do coreto mesmo, na bicentenária igreja de São José.

O poeta Arthur Nery Marinho – que veio para o Amapá em 1946 – chegou a tocar  no coreto e relembra a velha praça nesta poesia publicada no livro “Sermão de Mágoa”, em 1993.

Praça Antiga
Arthur Nery Marinho

Velha praça, velha praça,
tenho saudade de ti.
Não da bonita que estás
mas da que eu conheci.

A praça do tio Joãozinho
e do seu Naftali:
o primeiro era Picanço
e o segundo Bemerguy.

A praça do João Arthur
também a praça do Abraão,
a praça que outrora foi
da cidade o coração.
A praça em que se jogava
todo dia o futebol,
esporte que só parava
quando já dormia o Sol.

Parece que isto foi ontem,
mas tanto tempo passou,
o que deixou de existir
minha saudade gravou.
Vejo a barraca da Santa,
vejo ali o ABC.
Há muito tempo não existem
mas a minha saudade os vê.

Da igreja o velho coreto
eu avisto, neste ensejo.
Do mestre Oscar vejo a banda
e lá na banda eu me vejo.

Eu considero um castigo
não apagar da lembrança
o que me foi alegria
e agora é desesperança.

Velha praça, velha praça,
renovaste e linda estás.
Não tens, porém, a poesia
do que ficou para trás.