Não quero
O eleitor entra no gabinete do candidato a prefeito, esparrama-se na poltrona e diz:
– Eu vim aqui porque estou precisando de umas dúzias de tábua pra construir um puxadinho lá em casa para o meu filho que acaba de casar.
– Mas eu não estou dando madeira, diz o candidato
– Bom, então eu aceito alguns milheiros de tijolo pra levantar o muro de casa.
– Mas eu não estou dando tijolo.
– Então me dê uma passagem pra Belém que eu quero visitar uns parentes que tenho por lá.
– Também não estou dando passagens.
– O que o senhor está dando então?
– Eu dou esperança e a minha palavra de que essa cidade vai melhorar muito se eu for eleito.
– Pois isso que o senhor tá dando eu não quero.
– Por que?
– Esperança não enche barriga e político de palavra ainda não nasceu.
(Do livro “Zero Voto”, de Alcinéa Cavalcante e Rostan Martins)
